sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Rápidos correm os dias







"Rápidos correm os dias, os anos.
Não deixes.
Nem isso é verdade.
Vive imensamente cada dia, cada hora, repara no seu escoar e verás como são lentos."

__Vergílio Ferreira

Carl G. Jung






"Onde o amor impera, não há desejo de poder;
e onde o poder predomina, há falta de amor.
Um é a sombra do outro."
__Carl G. Jung

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Friedrich Nietzsche





A vida sem a música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio.”

__Friedrich Nietzsche


A UMA SENHORA QUE ME PEDIU VERSOS








Pensa em ti mesma, acharás
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.
Se já dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.
Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das almas já ressequidas.
Os sóis e as luas
Creio bem que Deus os fez
Para outras vidas.

__Machado de Assis

Os livros





"Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais,
tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia."

__Eugénio de Andrade

sábado, 18 de agosto de 2018

JameSi - Saudade Tua (Videoclip Oficial)


“Saudade Tua“ - JameSi Já lutei muito pra te ter Agora não te largo venha o que vier Sofremos tantas noites eu longe de ti São sempre horas ao telefone tu longe de mim Todos já deram o nosso amor por certo E acredita ainda nem o viram bem de perto Fomos feitos um pro outro eu não duvido Do nosso Amor Fico a imaginar-te adormecer Até ao dia em que eu te possa ter Ao meu lado, lado a lado eu sempre quis Escrever a nossa história com final feliz Passar o dia inteiro sem te ver não dá Passar apenas horas, horas, sem falar Não ter notícias tuas baby é pra mim Ai, Ai, não dá mais pra aguentar Vem morar a meu lado dá-me a tua mão Juntinhos apertados junto ao coração Juro-te amor eterno puro meu amor Dou-te o anel do meu futuro, vá ele pra onde for ---------- Mixing and Mastering - Sassa Nascimento VideoClip - SEAGMEDIA JameSi nas Redes Sociais: https://www.facebook.com/JameSiOficial/ https://www.instagram.com/jamesioficial/ https://twitter.com/JameSiMusicFan/

Latif Hamet







Latif Hamet, poeta Curda

Eu vou mãe.
Se não regressar,
serei flor desta montanha
torrão de terra
para um mundo
maior do que este
(…)
Eu vou mãe.
Se não regressar,
a minha alma será palavra
para todos os
poetas.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Credo - Shaul Tchernichovsky






Credo
Ri, ri de todos os meus sonhos!
O que sonho será realidade!
Ri por eu acreditar nos homens,
E por acreditar em ti.

Minha alma pede ainda uma liberdade,
Que não se troca por bezerros de ouro.
Porque ainda acredito nos homens,
E no seu espírito forte e corajoso.

E no futuro acredito
Que ainda distante, ele virá
Quando nações abençoem outras
E paz por fim a terra encherá.

Shaul Tchernichovsky 
(1875-1943), médico, poeta e tradutor israelita de origem russa.
Poema escrito em 1928.



(fragmento)

“O homem não é nada além de um pedaço de terra
não é nada além da imagem da paisagem de sua terra natal” 

Shaul Tchernichovsky

Fonte: http://judaismohumanista.ning.com/notes/POESIA_JUDAICA_-_Credo_-_Shaul_Tchernichovsky


terça-feira, 14 de agosto de 2018

O convite



Apoiado na robustez do tronco, sob a frondosa copa da figueira situada na retaguarda da modesta habitação, Natanael encontrava o refúgio perfeito para meditar e aplacar o ritmo do seu coração agitado. Era ali que diariamente, e em oração, se despojava das inquietações e anseios. Com o seu sentido observador e diligente, procurava, no silêncio e ao sabor da brisa fresca daquela tarde, entender os últimos acontecimentos.
Relembrava a leitura profética, relativa à vinda do Messias, que escutara na sinagoga. Tudo lhe levava a crer que estaria para breve. E não se baseava apenas nas profecias de Moisés e Isaías mas também nas advertências vindas do deserto de Peréia, pela voz de João Batista. Os avisos incisivos e perturbadores davam-lhe essa convicção.
Há muito que os líderes religiosos viviam uma fé desfalcada de valores, aparentando uma falsa modéstia e santidade revestidas de prepotência e hipocrisia. Enquanto o povo corrompido e subjugado à lei do mais forte evidenciava, na fisionomia silenciosa e sorumbática, a rotina dos dias privados de esperança e sentido. Era nisto que Natanael meditava quando Filipe se acercou:
- Achamos aquele de quem Moisés, e os profetas, escreveram. Jesus de Nazaré.
- Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? – questionou apreensivo, em alusão à má reputação que o Norte ganhara, após a divisão de Israel e à funesta governação praticada por alguns dos seus reis. Mas não foi esse o motivo principal da sua apreensão, ele também era originário do Norte, de Canaã. Foi a certeza de que o Messias viria de Belém, como afirmavam as escrituras.
- Vem e vê - foram as palavras de Filipe, seu amigo.
Natanael aceitou o convite com reservas, interrogando-se pelo caminho:
- Estará Deus a colocar à prova os meus conhecimentos, ou a minha fé? Irei permitir que as dúvidas impeçam o agir de Deus na minha vida?
Não são poucas as vezes em que a incredulidade nos impede de alcançar as bênçãos que nos estão reservadas. Pensamos demais, questionamos e argumentamos também demais, presos à religiosidade e ao ritualismo das crenças familiares, a dogmas, filosofias… e a oportunidade escapa-se-nos por entre os dedos, como areia fina. E só porque não aceitamos que a lógica de Deus esbarre na nossa própria lógica.
Ao chegar, abriram caminho pela multidão e aproximaram-se de Jesus. De imediato, Natanael sentiu algo diferente. Imanava do Mestre uma paz arrebatadora; a sua simplicidade e objetividade eram impressionantes.
- Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade – disse-lhe Jesus.
- De onde me conheces tu? – inquiriu.
- Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira – respondeu.
A árvore, invisível do caminho, fez com que os dois amigos se entreolhassem admirados.
Ao pensamento de Natanael sobreveio o que sua mãe lhe contara em tenra idade, quando Herodes I decretou matar todos os meninos em Belém e arredores, até aos dois anos de idade. Muitas mães, em desespero, esconderam os filhos debaixo de figueiras, por entre a folhagem caída, livrando-os assim da fúria sanguinária dos soldados. Não sabia se acontecera o mesmo com ele, pressupunha que não, dada a distância, mas recordava-se de estar muitas vezes com ela, sob a densa copa de uma morácea, em orações de louvor e gratidão a Deus, pedindo direção e proteção para as suas vidas.
A menção que Jesus fizera relativamente à árvore deu-lhe a total convicção de estar diante do Messias, que viria para resgatar e restaurar os perdidos. Pois que também ele fora visto e achado antes de um encontro real.
Congratulando-se com o cumprimento da promessa nos seus dias, permaneceu ali juntamente com Filipe e demais discípulos.
Passaram, então, a viver com Jesus, a segui-lo por todo o lado, extasiados com os seus ensinos, seu exemplo de vida, sua conduta e carácter.
Em breve, seriam eles a levar o convite que, ainda hoje, abre as portas à salvação.
- Vinde e vede!
Florbela Ribeiro®

Uma História Privada


Uma História Privada
                          para Itzchak Livni
Nove palavras eu lhe disse.
Você disse isso e aquilo.
Você disse: Você tem um filho,
Tem tempo, tem poesia.
As barras nas janelas ficaram gravadas em minha pele;
não dá para acreditar que aguentei tudo isso.
Eu não precisava, mesmo,
humanamente falando.
No dia Dez de Tevet o cerco começou;
no dia Dezessete de Tâmuz a cidade caiu;
no Nono de Ab o templo foi destruído.
Eu suportei tudo isso sozinha.

Dahlia Ravikovitch

Fonte: https://escamandro.wordpress.com/tag/poesia-israelense/

Um Homem e a Sua Vida


Um Homem e a Sua Vida

Yehuda Amichai (1924-2000), poeta israelita.

Um homem não tem tempo na sua vida
para ter tempo para tudo.
Não tem momentos que cheguem para ter
momentos para todos os propósitos. Eclesiastes
está enganado acerca disto.

Um homem precisa de amar e odiar no mesmo instante,
de rir e chorar com os mesmos olhos,
com as mesmas mãos atirar e juntar pedras,
de fazer amor durante a guerra e guerra durante o amor.
E de odiar e perdoar e lembrar e esquecer,
de planear e confundir, de comer e digerir
que história
leva anos e anos a fazer.

Um homem não tem tempo.
Quando perde procura, quando encontra
esquece, quando esquece ama, quando ama
começa a esquecer.

E a sua alma é erudita, a sua alma
é profissional.
Só o seu corpo permanece sempre
um amador. Tenta e falha,
fica confuso, não aprende nada,
embriagado e cego nos seus prazeres
e nas suas mágoas.

Morrerá como um figo morre no Outono,
Enrugado e cheio de si e doce,
as folhas secando no chão,
os ramos nus apontando para o lugar
onde há tempo para tudo.


(Tradução de Shlomit Keren Stein e Nuno Guerreiro)

Fonte: http://ruadajudiaria.com .

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Mar Ocidental: ÁRVORE Uma Antologia Poética - Livro gratuito




Mar Ocidental: ÁRVORE Uma Antologia Poética - Livro gratuito:       

             

 O termo grego ανθολογία (antologia), significa “coleção ou ramalhete de flores”. Daí o latim florilegium. O termo florilégio encaixa-se bem ao presente trabalho, onde procurou-se coligir poemas sobre a árvore, esse centro e pilar da hera.
        E foi sorvendo de outas antologias, e ainda de livros individuais, revistas e websites, que coligimos aqui este singelo ramalhete de poemas sobre a árvore. Adicionamos ao volume uma pequena seleção de frases sobre o tema, e, em arremate, publicamos o texto integral (vertida sua grafia ao português hodierno) do poema A Destruição das Florestas, do múltiplo Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806 – 1879). O poema, que veio à luz em 1845, é um significativo e precoce exemplo de consciência ambiental em nossa literatura.
        Uma antologia temática é uma chance sempre de a poesia penetrar em espaços outros que não os estritamente circunscritos aos apreciadores de poesia. Como antologista, confesso que prefiro, por motivos óbvios, trabalhar com temas ainda não contemplados, os quais infelizmente são muitos em nossa língua. Já assim fizemos em trabalhos como Segunda Guerra Mundial – Uma Antologia PoéticaBreve Antologia da Poesia Cristã Universal e Amor, Esperança e Fé – Uma Antologia de Citações, só para citar alguns trabalhos. Assim, qual a vantagem (ou vantagens) de debruçarmo-nos, agora, sobre uma outra antologia da árvore, já que nossa literatura possui obras neste viés? Acreditamos em algumas. A primeira, é de ordem da amplitude espaço-temporal: a coleta de um número significativo de textos, abarcando autores, se em sua maioria brasileiros ou lusos, também de outras literaturas do globo, e alguns deles de produção posterior às seletas precedentes; a segunda, por suprimento de lacuna, visto que os predecessores são livros esgotados já de há boas décadas; e, por fim, nossa motivação principal: a democratização do conhecimento proporcionada por um livro que já nasce eletrônico e gratuito, o que permite um acesso fácil, amplo e permanente ao seu conteúdo. Afinal, em tempos em que “Meio Ambiente” alcançou o status de tema transversal a perpassar o ensino de todas as disciplinas escolares, auxiliar educadores em seu esforço para incutir o reconhecimento e a valorização deste ser áulico e basilar da Natureza, a árvore, naqueles corações sob sua jurisdição, torna-se nosso objetivo mais urgente.
        Além do elogio da árvore, presta-se aqui uma homenagem a nossos poetas de agora e de ontem, e de certa forma um serviço à literatura lusófona, pois toda antologia literária é antes de tudo isso - um serviço prestado a uma literatura e ao universo de seus usuários.
        Este é um livro gratuito. Como amante das árvores e da literatura, como professor e como antologista, é um prazer ofertar este livro a todos, com votos de que ele possa ser compartilhado livremente, para que alcance os fins a que se propõe.
                               
Sammis Reachers