terça-feira, 31 de outubro de 2017

​A persistência da Fé



A persistência da Fé


A persistência da Fé
Não existem super-homens nem super-heróis. Existem pessoas corajosas e determinadas, às quais rotulamos de “super-isto” ou “super-aquilo”, quando, na verdade, o que elas têm é uma persistência e uma fé inabalável neles próprios, em algo ou em alguém.
Assim me defino eu, como um homem persistente e de fé. Uma fé perpetuada na Omnisciência, Omnipotência e Omnipresença do Criador, e não nas capacidades ou méritos humanos. Pois é Ele quem me restaura, fortalece, consola e abençoa em cada dia.
Sem o Seu auxílio, eu teria desmoronado quando uma indefinível, e súbita, tragédia se abateu sobre mim e me despojou de tudo: riqueza, filhos, saúde.
Naquele dia senti que a morte me arrancou a vida, em vida, sem aviso prévio.
De manto rasgado, cabeça rapada e lágrimas incessantes de dor e desespero a banharem-me o rosto, adorei-O:
Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou. Bendito seja o Seu Santo nome.
Nada nem ninguém iria abalar a fidelidade Nele depositada.
Mas os gemidos do meu coração perturbaram-me o pensamento ao ponto de desejar que o dia do meu nascimento jamais tivesse ocorrido. O porquê de tamanho revés ecoava-me nos ouvidos. Julguei-me intocável por ser um homem sincero, recto e temente a Deus. Opinião contrária à dos meus três amigos que, sem inibições, me dirigiram os dedos inquisidores e as línguas afiadas. E, após me sondarem até ao limite das minhas forças, concluíram ser eu um ímpio que padecia o resultado das próprias transgressões.
Se padece é por que mereceAlgum pecado oculto, e mui grave, terá a confessar. Só isso justifica uma tão grande aflição vinda de Deus.
Mas não é esta a tendência natural do homem: falar, opinar e sentenciar o que desconhece? É-o infelizmente e assim procede para se esquecer, não raras vezes, das suas próprias vivências.
Sentado sobre um mar de cinzas impiedosas ouvi as advertências e conselhos, até não suportar mais.
Mas que sabiam eles da minha vida e pecados?
E do significado da palavra compaixão?
E da grandeza do amor de Deus, dos Seus desígnios e mistérios?
Nada, não sabiam nada! Pois, se o que vemos é os ímpios gozarem de prosperidade sem receber castigo algum nesta vida, enquanto os justos padecem dia a dia.
Consciente da minha fragilidade, implorei ao Senhor por alívio para o meu estado deplorável e para a infinidade da minha tristeza. E supliquei-Lhe também perdão para a soberba de tantas justificações e queixumes:
Em tudo, e por tudo, Te rendo graças; e ainda que me mates em Ti sempre eu esperarei!
O Senhor foi misericordioso no atender da minha oração e libertou-me daquela chaga maligna, reestruturou e renovou a minha parentela e abençoou a minha fazenda, conferindo-me o dobro da prosperidade antes alcançada.
E porque permaneci na dependência do Seu amor, e descansei Nele, sem duvidar jamais do Seu poder, Ele enobreceu a persistência da minha fé, para testemunho futuro.
Florbela Ribeiro®
Baseado no Livro de Jó
Publicado na Revista Novas de Alegria / Setembro 2017 / Pág. 14

1 comentário:

  1. Belíssimo! Fiel retrato de Jó. Parabéns!
    Aguardo a tua visita...

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