domingo, 9 de setembro de 2012

Bertolt Brecht


(...)

Não importa
A forma como olhas.
Mas aquilo que viste
E aquilo que revelas, isso importa.
Vale a pena saberes aquilo que sabes.
Observar-te-ão
Para ver quão bem observaste.
Mas aquele que apenas se observa a si mesmo
Nada ganha do conhecimento dos homens.
Demasiadamente de si esconde a si mesmo.
E nenhum homem é mais sábio do que ele próprio.
Logo, a tua aprendizagem deve começar no meio
Das vidas das outras pessoas. Transforma na tua primeira escola
O teu local de trabalho, a tua casa,
O lugar a que pertences,
A loja, a rua, o comboio. Observa todos quantos o teu olhar alcance.
Observa os desconhecidos como se te fossem familiares
E aqueles que conheces como se te fossem estranhos.

(...)

Para observares deves aprender a comparar.
Para poderes comparar
Deves já ter observado.
Da observação nasce o conhecimento.
Mas é necessário conhecimento para observar.
Aquele que não sabe
O que fazer da sua observação
Observará erradamente.
O cultivador olhará para a macieira
Com um olhar mais apurado do que o transeunte errante.
Mas só quem sabe qual é o destino do homem
Pode com exactidão ver o homem.

(...)

Observa tudo isto atentamente.
Depois, a partir de todos os trabalhos suportados
Cria, então, no centro do teu espírito imagens
Desabrochando e crescendo como movimentos na história.

Bertolt Brecht
Fala a operários-actores dinamarqueses sobre a arte da observação (3 excertos)


tradução: Ricardo Castro Ferreira 

2 comentários:

  1. Muito interessante. Legal.
    "Aquele que não sabe
    O que fazer da sua observação
    Observará erradamente.
    O cultivador olhará para a macieira
    Com um olhar mais apurado do que o transeunte errante."
    Eu sempre achei que isso era uma verdade, mas ainda não tinha apreciado em versos.

    Valeu. Paz.

    Marcos André
    http://umtempodepaz.blogspot.com.br/

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