domingo, 30 de setembro de 2012








«A poesia, como os farrapos de um mendigo, é feita de aguçadas pontas de ironia: lembrança e esquecimento das ruínas dos homens. Tente-se a demonstração. Impossível, pois todos somos poetas ou mendigos. Todos escondemos cuidadosamente as nossas ruínas. Todos somos exemplos do exemplo possível. O exemplo é a nossa ruína; a ruína o nosso exemplo.
Assim a poesia se ergue no horizonte dos homens e dos povos: quanto mais poeta mais mendigo; quanto mais mendigo mais poeta. Circuito envolvendo as suas próprias ruínas. Palco onde as vozes se escutam numa mão estendida. Farrapo de silêncio onde os olhares se cruzam em cada página.»


in Ruínas, Quatro Elementos Editores

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