domingo, 1 de julho de 2012

A CASA




A CASA 

Nesta casa, vejo homens e mulheres que olham
semana após semana, para cima
nunca foram
homens nem mulheres silenciosos, olham
e cantam com os olhos e deles
a alegria se derrama

Acendem lâmpadas por vezes
línguas de lume, como as virgens
outras, o azeite é um milagre apagado
mas olham para cima, o seu olhar
é sempre virgem e espera Aquele que virá
das alturas no seu perfume anunciado

Nesta casa
há o cheiro trémulo do incenso
e a noite que possa estar na alma
a alma esquece
e quebra o ímpeto da sua negridão
pela luz de cada face

E às vezes- não se vê- a pomba passa
e apaga batendo com as asas a imensa
tristeza do silêncio
e traz sempre um ramo de línguas no seu bico
e como acorda na fonte a madrugada, toda a casa
mergulha nas águas eternas da Palavra.

© João Tomaz Parreira 

Lido pelo poeta no dia do 25º Aniversário da Inauguração do Templo da Assembleia de Deus de Aveiro

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