terça-feira, 19 de junho de 2012

Lavadeiras




Lavadeiras

Essa terra
onde adormecerei  a carne
num silêncio secreto
lá onde nasci
onde morrerei
vergo a ti o corpo!

Essa terra de lavadeiras
mulheres de pele dourada
de olhar enrugado
também elas se vergam
lavando os negros vestidos
como quem lava a saudade
pelas mãos doridas
essa solidão
que o rio vai  engolindo
pela encosta escarpada!

Será vontade de partir
de te  abandonar
Será  vontade de seguir pela maré
Ou será apenas a saudade
dessas mulheres
de ancas roliças
de fartos seios
assobiando pela ruela
e sem o saberem
é nos ombros que carregam
a vida
o tempo
a inocência e pureza 
de quem lava as pedras do rio!



Dulce Antunes

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