sexta-feira, 8 de junho de 2012

Do olhar




Em geral os rostos, e os olhos em particular, revelavam-me muita coisa.
Vozes e palavras da mesma forma. 
Eu falava com um menino por alguns minutos e tinha a certeza de saber quem ele era e o que podia esperar dele. 
Uma vez ouvira meu pai citar Maimônides: 
“Assim como os rostos humanos são diferentes, são diferentes os seus pensamentos e opiniões”.
 Narizes, orelhas, lábios revelavam-me segredos.
Eu li em algum lugar que a alma espia pelos olhos, e fiquei atônito ao perceber quanta verdade havia nessas palavras.
Havia olhos tolos, olhos inteligentes, olhos dissimulados, olhos cheios de bondade, olhos cheios de perversidade, olhos expressando pura alegria, olhos cheios de tristeza. 
Todos contavam histórias que eu não conseguia colocar em palavras.
Como Deus podia ter criado tantos olhos, com tantas expressões diferentes?

 Isaac B. Singer, Amor e Exílio, Memórias (L&PM)

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