segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O POETA



O POETA 

O poeta tem os seus dias
contados,
como todos os homens;
mas quanto,
quanto mais variados!
As horas do dia e as quatro estações,
um tanto menos de sol ou mais de vento,
são o devaneio, o acompanhamento
sempre diverso para suas paixões,
sempre as mesmas;
e o tempo que faz,
ao levantar-se,
eis o grande acontecimento do dia,
sua alegria assim que desperta.
Nada como as luzes contrárias o alegra,
nada como os belos dias
movimentados,
e em longas histórias multidões imersas,
onde o azul e a tempestade duram pouco,
onde se alternam searas de infortúnio
e de vitória.
Com um rubro crepúsculo se entusiasma;
e com as nuvens muda de cor,
ainda que lhe não mude a alma.
O poeta tem os seus dias
contados,
como todos os homens; mas quanto,
quanto mais abençoados! 

UMBERTO SABA
(de Trieste e una donna, 1910-1912)

1 comentário:

  1. Olá Flor!!!

    Um belo poema de homenagem aos poetas!!! Parabéns pela escolha...
    Beijinhos de carinho e amizade,
    Lourenço

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