terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sem Medo nem Esperança


Sem Medo nem Esperança

Li no nosso Hecatão que pôr termo aos desejos é proveitoso como remédio aos nossos temores.Diz ele: «deixarás de ter medo quando deixares de ter esperança».
Perguntarás tu como é possível conciliar duas coisas tão diversas.
Mas é assim mesmo, amigo Lucílio: embora pareçam dissociadas, elas estão interligadas.Assim como uma mesma cadeia acorrenta o guarda e o prisioneiro, assim aquelas, embora parecendo dissemelhantes, caminham lado a lado: à esperança segue-se sempre o medo.Nem é de admirar que assim seja:ambos caracterizam um espírito hesitante, preocupado na expectativa do futuro.
A causa principal de ambos é que não nos ligamos ao momento presente antes dirigimos o nosso pensamento para um momento distante e assim é que a capacidade de prever, o melhor bem da condição humana, se vem a transformar num mal.
As feras fogem aos perigos que vêem mas assim que fugiram recobram a segurança.
Nós tanto nos torturamos com o futuro como com o passado.


Séneca, in ‘Cartas a Lucílio’

O medo de represálias, perseguições, exclusões sociais e familiares continua a impedir que muitos encontrem a Verdadeira Esperança.
FR

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