segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pedido



Pedido

Somos mergulhados
e lavados com a água do dilúvio,
encharcados
até à membrana exterior do coração.

O desejo da paisagem
aquém do romper das lágrimas
nada vale,
o desejo de impedir o florir da primavera,
o desejo de ficar preservado
nada vale.

Vale sim pedir
que ao nascer do sol
a pomba traga o ramo de oliveira;
que o fruto seja tão colorido como a flor
que as pétalas da rosa no chão
ainda formem um coroa luminosa.

E que sejamos libertados
da torrente,
da cova do leão e do forno em chamas,
sempre mais feridos e sempre mais intactos,
para nós próprios.

Hilda Domin

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