quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Faz as pazes com o teu passado





Faz as pazes com o teu passado

Já alguma vez paraste para pensar no porquê desta passagem terrena, tão repentina quanto ligeira?
Já alguma vez te questionaste para que serve ou para que tem servido ela?
Olha para trás, recorda as vivências passadas.
Lembra-te dos sorrisos espontâneos de felicidade que tantas vezes suscitaste!
Recorda-te das lágrimas que por compaixão ou vergonha omitiste.
E das dores, da humilhação e dos fardos que suportaste.
Ao olhar para trás és inundado por um turbilhão de emoções do qual o amor, o ódio, a raiva, o desespero, a ternura e o afecto fazem parte.
Durante a tua passagem cresceste, aprendeste, conheceste, praticaste, sentiste, doaste…
O tempo passou rápido é verdade, eu diria que ele passou rápido demais.
Ficou tanto por fazer, tanto por dizer, tanto por partilhar.
Eu sei que, se fosse possível voltares atrás, mudarias algumas situações.
Não agirias da mesma maneira, não dirias as mesmas palavras, não te irritarias nem perderias a calma com a mesma facilidade.
Não omitirias, não caluniarias, não serias medroso nem tão ambicioso.
Disponibilizar-te-ias mais a ouvir, a estender a mão, a abraçar, a doar afectos, a perdoar.
Ouvirias muito mais a voz do teu coração, e calarias a opinião alheia das gentes intrometidas.
Serias mais humano, mais sensível, mais bondoso e afável… ou talvez não alterasses nada.
Darias os mesmos passos, agirias da mesma maneira e sofrerias a indiferença e os infortúnios de igual modo.
Mas o tempo não recua, e bem ou mal não podes alterar o que disseste e fizeste. Tal como a pedra que é lançada o passado não recua para que possamos alterá-lo.
Resta-nos então reconhecer e encarar os erros e, sempre que possível, remedia-los.
Para isso precisamos abolir do nosso carácter o orgulho e a teimosia.
As boas lembranças do passado devem dar-te alento e coragem nesta cedência.
Verás que nada afecta a grandeza de um coração disposto e sincero, nem uma visão turva, nem uns membros tremulamente cansados e desvigorados, nem uma voz insegura.
Não deixes que a saudade te roube o presente. Não te rendas ao abandono nem ao desânimo.
A vida é o hoje, o agora, o imediato e, deste imediato, tu podes ser o conquistador.
Faz as pazes com o teu passado, arranca as raízes amargas que te enredam o sentir, abre as portas à tristeza e à solidão que em ti habitam, solta-as para que a Luz entre de novo.
Aos olhos do Pai a tua vida tem imenso valor, valoriza-a pois tu também, cerca-te de Vida, cerca-te de Luz, cerca-te do Seu Amor.


Florbela Ribeiro

1 comentário:

  1. Inspirador!
    O ser humano teima em enraizar-se no passado sombrio. É difícil que assim não seja, embora saibamos que o mal que isso nos traz.
    Precisamos de pensamentos mais fortes: como os que acabou de generosamente partilhar.
    Obrigada

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