terça-feira, 15 de março de 2011

MEU PAI, MEU HERÓI






















Meu Pai, Meu Herói

Pai, recordo com tanta saudade os anos que já lá vão…
Sabes, uma das minhas brincadeiras predilectas era ensaiar os teus gestos, poder imitar-te.
Fazia os ensaios secretamente, por pura admiração.
Como eu amava a robustez e o vigor que emanavam de ti, a tua força e coragem eram minhas…
Lembras-te, Pai quando no teu regresso a casa me erguias do solo, me sustentavas no ar, por longo tempo, e perguntavas:
- O que vês aí em cima pupila minha?
De sorriso desenhado no rosto, a respirar alegria, respondia-te com a nossa frase de “guerra”:
- Vejo um mundo a conquistar, papá!
Riamos ambos. Nos teus braços ganhava asas. Eras o meu herói!
E por que os heróis nunca se cansam nem arreliam, tu nunca te mostravas afadigado nem zangado, nem mesmo naquele dia em que foste despedido…
Eu aguardava-te ansiosa, como sempre, ao fim da tarde, porque sabia que algures na algibeira trazias um mistério.
Era um tesouro escondido que eu adorava desvendar.
Esse tesouro podia ser uma flor silvestre, colhida a poucas centenas de metros de casa, ou uma simples pedrinha, brilhante, encontrada no caminho.
Tu sempre manejaste a simplicidade com arte e sapiência…
Os meus olhos encantavam-se pelo mistério na tua voz. A flor não era mais flor, nem a pedrinha, pedrinha.
Naquele dia trouxeste-me uma pequenina flor, um malmequer branco de corola cor-de-rosa. Era um malmequer do campo que, rapidamente, foi transformado em rainha, se fora pedrinha tê-la-ias, provavelmente, transformado na arcada de um castelo.
Nessa mesma noite vi-te chorar nos braços da mamã mas, ao pé de mim, foste outra vez herói, seguraste as vagas com bravura.
Os meses que se seguiram foram difíceis, as refeições tornaram-se mais leves que merendas, mas nunca faltaram os tesouros na tua algibeira nem as histórias, contadas, ao entardecer.
Hoje, os teus braços estão pesados, os gestos desconexos. As mãos com as quais me erguias no ar, repousam trémulas no teu regaço, e o vigor das tuas pernas ausentou-se para sempre.
Meu querido Pai os anos impiedosos, inverteram os papéis. O olhar terno e ansioso que aguarda por um regresso não é mais o meu. É o teu, meu herói!

Florbela Ribeiro®

Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá.
Êxodo 20:12



Em antecipação ao dia 19 de Março, aqui fica a minha singela homenagem a todos os PAIS!

3 comentários:

  1. Bom dia minha querida e simpática Flor.
    Passando para matar a saudade e conferir as excelentes entradas de blog. Gostaria de poder fazer meus modestos comentários em tantas por tão primorosas que são. Porém como ainda estou em fase de recuperação, limito-me a fazer uma observação nesta que é uma prenda maravilhosa dedicada aos pais. Logo estarei de volta quando estiver com a vista novinha em folha e poder ficar mais tempo na frente da telinha.
    Confesso-te que ao ler o belo escrito meus olhos nadaram em lágrimas ao lembrar do meu pai que há tempos foi chamado deste mundo e como foi um pai herói, um homem de caráter inquebrantável, pai de família exemplar, temente a Deus, provedor da família em todas as horas, um bom esposo e amigo, deve estar descansando na morada dos justos. Não vamos entrar na questão de como, quando e onde teve origem o Dia dos Pais, observo apenas, e disto vc deve saber, que no Brasil comemora-se o Dia dos Pais no segundo domingo de agosto. O pai brasileiro ganhou um dia especial a partir de 1953. A iniciativa partiu do jornal O Globo do Rio de Janeiro, que se propôs a incentivar a celebração em família, baseado nos sentimentos e costumes cristãos. Primeiro, foi instituído o dia 16 de agosto, dia de São Joaquim. Mas, como o domingo era mais propício para as reuniões de família, a data foi transferida para o segundo domingo de agosto. Dia 19 comemora-se São José, modelo de Pai, de esposo, escolhido por Deus para ser o pai adotivo do Nosso Senhor Jesus Cristo. De qualquer forma, tanto faz ser dia 19 de março, segundo domingo de maio e outras datas, o importante é rendermos homenagem a quem, juntamente com nossas mães, foram os nossos primeiros mestres, primeiros e eternos ídolos.
    Peço-te que aceites o meu fraternal abraço e beijos iluminados.

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  2. Gostei; muito, para além do "gostei"; Li este texto na perspectiva de pai, porque o sou de dois filhos ainda pequenos e quando as minhas forças me abandonarem gostaria de ser recordado desta maneira.

    "palavras imperfeitas"

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