sábado, 19 de fevereiro de 2011

Quero voltar a ser feliz!


























Quero voltar a ser feliz!


Fui criado com princípios morais comuns.
Quando eu era criança os ladrões tinham a aparência de ladrões.
A nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os “lanterninhas” dos cinemas nos expulsassem pelas batidas com os pés no chão quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matines de domingo.
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos e, ou, mais velhos mais afecto.
Era inimaginável respondermos de forma malcriada aos polícias, mestres, aos mais idosos e demais autoridades.
Confiávamos nos adultos porque eram os pais e mães das crianças da rua, do bairro, da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos e de filmes de terror.
Hoje senti uma tristeza infinita por tudo que perdemos.
Por tudo o que meus netos um dia temerão.
Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos.
Matar os pais, os avós, violentar crianças, raptar, roubar, enganar ou passar a perna, virou banalidade nos noticiários, sendo mesmo esquecidos após o primeiro intervalo comercial.
Os polícias de trânsito quando multam os infractores são intitulados de exploradores.
Policiais em blitz são considerados abusos de autoridade.
Regalias nas cadeias são votadas em reuniões.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem é ser “totó”.
Pagar as dívidas em dia é ser idiota, amnistia para os caloteiros de serviço.
Ladrões de fato e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.
O que aconteceu com a nossa sociedade?
Os professores são espancados nas salas de aula, os comerciantes são ameaçados por traficantes, há grades nas janelas e portas das nossas casas.
Há crianças a morrer à fome!
Que valores são estes?
Os carros valem mais do que abraços, os filhos querem-nos como brindes por passar de ano.
Telemóveis nas mochilas dos recém-saídos das fraldas.
TV, DVD, video - jogos...
O que vais querer em troca do meu abraço, filho?
Vale mais uma “marca registada” do que um diploma.
Vale mais um LCD do que uma boa conversa.
Valem mais dois vinténs do que um GOSTO.
Que lares são estes?
Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente.
E o presente?
Uma droga!
O que é aquilo?
Uma árvore, uma galinha, uma estrela, ou uma flor?
Quando é que isto passou a ser ridículo?
Quando é que passei a esquecer o nome do meu vizinho?
Quando é que ao olhar nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado comecei sentir medo?
Quando é que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz.
Quero de volta a lei e a ordem.
Quero de volta a liberdade com segurança!
Quero tirar as grades das minhas janelas para tocar as flores!
Quero sentar-me na calçada e ter a porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade, como motivo de orgulho.
Quero a rectidão de carácter, quero a cara limpa, o olho no olho.
Quero a vergonha, a solidariedade.
Quero a esperança, a alegria.
Tecto para todos, comida na mesa, saúde…
Abaixo o “TER”, viva o “SER”!
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de Abril, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente comum, como eu.
Adoro o meu mundo simples e comum.
Vamos voltar a ser “gente”?
Ter o amor, a solidariedade, a fraternidade como base.
A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito...
Vamos discordar do que é absurdo.
Vamos construir sempre um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas se respeitem.
Utopia?
Não...
Se cada um fizer a sua parte, contaminaremos mais pessoas, e essas pessoas contaminarão mais pessoas…
Que me diz?
Vamos tentar?
Passe esta mensagem para os seus amigos e vamos à luta!

Abraços sinceros.

(desconheço o autor)
Adaptação: FR

2 comentários:

  1. Curiosamente, enquanto lia interessadíssimo este texto, pensava constantemente em "o que fazemos nós para mudar este estado caótico em que vivemos?"... sem imaginar que encontraria a resposta na parte final do mesmo.
    E penso... isto é o preço que pagamos pelo uso abusivo da liberdade.
    Felicito-a por esta publicação.
    Vamos unir-nos e tentar!

    ResponderEliminar
  2. Muito obrigada, Mário.
    Unidos conseguiremos!
    Flor

    ResponderEliminar