sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

POEMA ENDYMION






Poema Endymion

(trecho)
Tradução: Augusto de Campos:
(outra versão de Endymion)


O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam, e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem do céus e alenta a nossa vida.


(John Keats - 1795-I82l )

1 comentário:

  1. Minha querida amiga e perfumada Flor.
    Enternecedor este poema que é um hino ao belo, à vida, à natureza, enfim! Levantemos um brinde à boa poesia!
    Receba o meu fraternal abraço e votos de um feliz final de semana.

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