sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A BELEZA EM CADA SER É UMA ALEGRIA ETERNA


























A BELEZA EM CADA SER É UMA ALEGRIA ETERNA




A beleza em cada ser é uma alegria eterna:

o seu encanto torna-se maior e nunca se há-de perder

no nada; reservar-nos-á ainda um refúgio

de paz, onde adormeceremos, habitados por sonhos

suaves, uma íntima plenitude, uma respiração branda.

Comecemos, assim, a tecer em cada manhã

uma grinalda de flores para nos unirmos à terra,

apesar do desalento, da ausência daqueles

cuja nobreza amávamos, dos dias cheios de escuridão,

de todos os caminhos insalubres e misteriosos,

abertos para os nossos anseios; sim, apesar de tudo,

uma forma de beleza afasta o sudário

das nossas almas sombrias. Assim é o sol, a lua,

as antigas ou novas árvores cuja bênção faz germinar

a sombra sobre os humildes rebanhos; os narcisos

e o mundo verdejante que os cerca; e os límpidos rios

que para si criam um dossel de frescura

durante as estações ardentes; os silvados do bosque

enriquecidos pelo belo, nascente esplendor das rosas;

e, também, a magnificência do destino

que imaginamos para os mortos poderosos;

e as histórias encantadoras que lemos ou escutamos:

fonte inesgotável duma imortal bebida,

que vem do limiar do céu e para nós se derrama.



E não é apenas durante algumas horas breves

que ficamos presos a estas essências; assim como as árvores

murmurando à volta dum templo logo se tornam

tão amadas como o próprio templo, também a lua

e a paixão da poesia, glórias inifinitas, tantas vezes

nos assombram, até serem uma luz vivificadora

para a alma, e tão estreitamente nos cingem

que, fique a brilhar o sol ou se apaguem os céus,

para sempre hão-de existir em nós, ou morreremos.



John Keats, “A thing of beauty is a joy for ever”

Tradução de Fernando Guimarães

Poesia Romântica Inglesa, Relógio D'Água, 1992

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