quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

INTERLÚDIO




















INTERLÚDIO

Entre cozinhar e jantar

entre o dormir e o acordar



entre a seca e a monção

entre a fome e a profusão



entre o vestíbulo e a noite

entre as mantas e a pele nua



entre o exórdio e a narração

os argumentos e a peroração



entre o actor que sai

e o pano que sobre ele cai



entre as notas do grito

formadas na garganta do aflito



entre as fímbrias da eternidade

e a tua voz feita saudade



entre o tremor do leito

e o batimento do peito



entre o fluxo e refluxo da maré

o subir o cume e descer ao sopé



entre a mão que se abre e se cerra

para toda acolher a água e a terra



há sempre o momento de um desejo

para o fluido instante de um beijo





Poema de Rui Miguel Duarte
27/12/10

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