quinta-feira, 25 de março de 2010

O Pai Perdoa



















O Pai Perdoa


Escuta-me filho: estás deitado, dormes com uma mãozinha enfiada debaixo do rosto.
Os cachos do teu cabelo pendem-te sobre a fronte. Entrei sozinho e sorrateiramente no teu quarto.
Há poucos minutos, enquanto eu estava sentado, a ler o jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorsos.
E ao sentir-me culpado vim até aqui para ficar ao lado da tua cama.
Andei a pensar em algumas situações, filho... e verifiquei que tenho sido intransigente contigo.
Hoje mesmo quando te preparavas para ir para à escola, ralhei contigo por não teres enxugado o rosto devidamente com a toalha.
Chamei-te a atenção por não teres limpo os sapatos.
Gritei furioso contigo por teres alguns dos teus pertences no chão.
Durante o pequeno-almoço impliquei com algumas coisas:
Derramaste cereais na mesa.
Não mastigaste bem a comida.
Colocaste os cotovelos sobre a mesa.
Exageraste na manteiga quando preparavas o pão para o lanche.
Começaste a brincar quando eu saía para o trabalho... viraste-te acenaste e disseste-me:
"Até logo paizinho!" - eu franzi o sobrolho e como resposta disse-te:
"Endireita-me esses ombros!"
À tarde não fui diferente.
Voltei e, quando me aproximei de casa, vi-te ajoelhado a jogar com os berlindes.
Tinhas as meias rasgadas e eu humilhei-te diante dos teus amiguinhos, fazendo-te entrar à minha frente em casa.
- As meias são caras, se fosses tu a comprá-las tomarias mais cuidado.
Um pai dizer isto!
Mais tarde, quando lia na biblioteca, tu procuraste-me timidamente com a mágoa impressa nos teus olhos.
Quando afastei o olhar do jornal, irritado com a interrupção, tu paraste à porta:
"O que é que tu queres?", perguntei implacável.
Não disseste nada, correste com ímpeto na minha direção, passaste os teus braços em torno do meu pescoço e beijaste-me;
os teus bracinhos foram se apertando com a afeição pura que Deus fez crescer no teu coração, a mesma que nenhuma indiferença consegue extirpar. Depois retiraste-te, e subiste os degraus da escada a correr.
Bem, meu filho, não passou muito tempo até que os meus dedos afrouxassem, o jornal escorregou por entre eles, e um medo terrível e nauseante tomou conta de mim.
O que o hábito estava a fazer comigo?
O hábito de ficar atento aos teus erros, de fazer reparos e reprimendas - era essa maneira que eu te recompensava por seres uma criança.
Não é que não te ame; o facto é que eu espero demais da juventude.
Eu avalio-te pelos padrões da minha própria vida.
E há tanto de bom, de belo e de verdadeiro no teu carácter.
O teu coraçãozinho é tão grande quanto o sol que entra pela janela.
Mas eu só percebi isto pelo teu gesto espontâneo, quando correste para me dar um beijo de boas noites. Nada mais me importa nesta noite filho.
Entrei na penumbra do teu quarto, e ajoelhei-me ao lado de tua cama, envergonhado!
É uma expiação inútil; se estivesses acordado, não compreenderias estas coisas.
Mas amanhã serei, para ti, um pai de verdade!
Serei teu amigo, sofrerei quando sofreres, rirei quando rires.
Morderei a língua quando as palavras impacientes quiserem sair da minha boca.
Irei dizer e repetir, como se fosse um ritual: "Ele é apenas um menino – o meu menino!"
Receio que te tenha visto como um homem feito.
Mas, olhando-te agora, filho, encolhido e amedrontado no ninho, certifico-me de que és um bebé.
Ainda ontem estavas nos braços da tua mãe, com a cabeça deitada no seu ombro.
Exigi muito de ti.
Exigi muito.

W.Livingston Larned
(Adaptado por FR®)

Em vez de condenar os outros, procuremos compreendê-los.
Procuremos descobrir por que fazem o que fazem.
Essa atitude é muito mais benéfica eintrigante de que criticar; e gera simpatia, tolerância e bondade.
"Conhecer tudo é perdoar tudo"
"O próprio Deus, não se propõe julgar o homem até o final de seus dias".
Por que fazemos nós isso?

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