domingo, 22 de novembro de 2009

GETSÊMANI



























GETSÊMANI


Na áurea juventude quando cada dia
parece um verão sem fim de alegria,
quando as almas riem no coração brilhante
e nenhuma sombra espreita no horizonte,
precisamos todos disto saber:
existe, escondido sob os céus da noite,
um jardim que todos devemos ver:
o jardim do Getsêmani.

Com passos firmes fazemos nossos caminhos,
o amor empresta perfume aos nossos dias,
leves tristezas navegam como nuvens distantes,
sorrimos e dizemos que somos bastantes,
apressamo-nos e, apressados, nos pomos em acção
até alcançar a fronteira da aflição
que espera por ti e espera por mim,
pois sempre nos espera o Getsêmani.

Em veredas sombrias ao longo de estranhos córregos atravessados
por nossos sonhos despedaçados,
aquém dos obscuros chapéus dos anos,
além da grande fonte salgada das lágrimas,
está o jardim. Não importa o quanto venhas lutar,
não podes evitá-lo em tua jornada.
Todos os caminhos, trilhados ou a trilhar,
passam em algum ponto do Getsêmani.

Todos os que vivem, cedo ou no fim,
passarão pelo portão do jardim
e ali sozinhos se ajoelharão
e com feroz desespero contenderão.
Misericórdia, Senhor, dos que não podem dizer
"Não a minha, mas a tua", dos que apenas oram
"Passa de mim este cálice", mas não podem ver
o propósito do Getsêmani.


Ella Wheeler Wilcox (1902)
(Poems of Power. Chicago : W. B. Conkey, 1902)

Tradução de Israel Belo de Azevedo

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