sábado, 28 de novembro de 2009

BARCOS CONTRA A CORRENTE

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

FERIMENTOS PARTILHADOS























FERIMENTOS PARTILHADOS



Por que o coração do homem
Pode ser casa de maldade?
Pelas extensas barras de ferro
Segue a dureza de uma morte
Cega
Que se diz justiça
Na viagem há um inocente
Que dorme no seio de uma mãe despedaçada
Pobre menino, sonha que é feliz
Inocente menino de um país
Mortificado



Florbela Ribeiro

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

GETSÊMANI



























GETSÊMANI


Na áurea juventude quando cada dia
parece um verão sem fim de alegria,
quando as almas riem no coração brilhante
e nenhuma sombra espreita no horizonte,
precisamos todos disto saber:
existe, escondido sob os céus da noite,
um jardim que todos devemos ver:
o jardim do Getsêmani.

Com passos firmes fazemos nossos caminhos,
o amor empresta perfume aos nossos dias,
leves tristezas navegam como nuvens distantes,
sorrimos e dizemos que somos bastantes,
apressamo-nos e, apressados, nos pomos em acção
até alcançar a fronteira da aflição
que espera por ti e espera por mim,
pois sempre nos espera o Getsêmani.

Em veredas sombrias ao longo de estranhos córregos atravessados
por nossos sonhos despedaçados,
aquém dos obscuros chapéus dos anos,
além da grande fonte salgada das lágrimas,
está o jardim. Não importa o quanto venhas lutar,
não podes evitá-lo em tua jornada.
Todos os caminhos, trilhados ou a trilhar,
passam em algum ponto do Getsêmani.

Todos os que vivem, cedo ou no fim,
passarão pelo portão do jardim
e ali sozinhos se ajoelharão
e com feroz desespero contenderão.
Misericórdia, Senhor, dos que não podem dizer
"Não a minha, mas a tua", dos que apenas oram
"Passa de mim este cálice", mas não podem ver
o propósito do Getsêmani.


Ella Wheeler Wilcox (1902)
(Poems of Power. Chicago : W. B. Conkey, 1902)

Tradução de Israel Belo de Azevedo

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Salmo 23





















Salmo 23

Porque o Senhor é o meu Pastor, de nada sinto falta.
Ele me conduz
aos seus campos verdes de descanso, o meu sorriso
se vê no espelho plácido das suas águas.

A minha alma se conforta, e por sua graça
me conduz pelas veredas da justiça.
Nada recearei, ainda que sobre mim
se abatam densas trevas,
a tua presença e o teu auxílio me consolam

Entre mim e meus inimigos, a mesa
da abundância, abrigo diante da cara fechada
dos adversários, sobre mim derramas o teu perfume
como ave de muitas cores
Bandeiras de misericórdia e perdão
hão-de escoltar a minha existência,
sempre Contigo.


Florbela Ribeiro
(com a colaboração de JTP)