sábado, 7 de fevereiro de 2009

A flor mais humilde


A flor mais humilde


Voltarei.

À tarde, quando os sinos percutem no aço das calçadas e o vento sul carrega seus
ocos cilindros - os cavos ecos dum passado de armadilhas, de esporas e de espadas.
Voltarei, ao crepúsculo.

Entrarei no templo e deixarei

nos claustros da noite

uma rosa tecida

de orvalho e de sangue.

Uma rosa de cinza e esquecimento.

Ou talvez um lírio, a flor

mais humilde adormecida

numa tela de Grão Vasco.

Albano Martins

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