sexta-feira, 9 de maio de 2008

Poema de um homem sozinho


Poema de um homem sozinho


Queria um anjo como esse que enviaste
com as pernas flexíveis
como os juncos no Jaboque
nossos riscos no ar e na água
seriam a dança sobre a música
da torrente
Estou só com o peso dos retalhos
da minha memória, sozinho
apenas acompanhado de dois olhos
e um coração apressado
É noite, mas o medo não
resolveria nada, sequer
acrescentaria um palmo
à minha sombra
Só na luta plena o nome
muda, o nome
novo se alcança
Enfim a manhã virá
rompendo
o novelo do sol
Estou sozinho, em pé
mas fincado na terra
como a lança.

João Tomaz Parreira

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