domingo, 28 de outubro de 2007

Como Jesus Vê as igrejas


Como Jesus vê as igrejas:
Éfeso

O primeiro artigo desta série, introduz o importante assunto das cartas apocalípticas, através das quais se verifica como o Senhor Jesus Cristo vê as igrejas.

Nos dias antigos, Éfeso tornou-se uma cidade magnífica e de grande projecção. Era centro comercial e uma vasta região, que além de rica primava pela excelente beleza.
Tornou-se sede do Governo, das artes, erudição, riquezas e religião.
Dentro do sistema pagão que predominava, sobressaía a superstição que se ligava ao culto da deusa Diana, adorada por toda a Ásia. Éfeso era a sede desse culto e o templo dedicado à deusa foi considerado uma das «Sete Maravilhas do Mundo».
Era feito de mármore polido, sustentado por cento e vinte e sete colunas de mármore persa, cada uma com mais de vinte metros de altura.
A imagem da deusa, um quase informe pedaço de pedra que os Efésios afirmavam haver descido de Júpiter, ocupava o lugar central do templo, e da boca de milhares de seus adoradores podia ouvir-se o grito fanático: «Grande é a Diana dos Efésios», (Actos 19:34).
Foi naquela cidade e aquando da terceira viagem missionária de Paulo que se levantou uma florescente igreja cristã, que depois veio a multiplicar-se com alguns milhares de membros com os seus muitos anciãos ou presbíteros (Atos 20:17…)
A esta igreja dirige o Senhor a Sua primeira carta:

Apocalipse 2:1… «Escreve o anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz Aquele que tem na Sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:
Eu sei, as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achastes mentirosos.
E sofreste, e tens paciência: e trabalhaste pelo Meu nome, e não te cansaste.
Tenho porém contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
Lembra-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não virei a ti, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.
Tens, porém isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais Eu também aborreço.
Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.»

Depreende-se da leitura da Carta que Jesus elogia a Igreja por cuidar dos padrões doutrinários que irradiavam do seu púlpito. Oh, como o senhor apreciava o seu trabalho sincero e perseverante, o seu zelo pela pureza moral e doutrinária, sua declarada paciência em suportar as provas que enfrentava enquanto realizava o seu trabalho!
Os que davam uma profissão falsa com o objectivo de serem admitidos como seus membros, fossem mestres ou leigos, eram provados e muitos foram achados mentirosos.
A igreja insistia na necessidade de uma comissão de fé sem qualquer reserva mental por partes dos seus membros e obreiros.
Com isto revelava o cuidado que lhe merecera a solene advertência de Paulo: «Olhai por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com Seu próprio sangue. Porque eu sei isto, que, depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho; e que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si» (Atos 20: 28-30)

Nem todas as coisas, porém, eram perfeitas na Igreja de Éfeso.
Tal como ainda hoje, é impossível encontrar-se a perfeição absoluta em qualquer igreja. Mas a falta da Igreja de Éfeso era das piores que se pode avaliar. E o Senhor diz «Tenho porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade»

No grego esta expressão é bastante mais severa, pois significa: «Tenho, porém contra ti algo muito sério…»
Sim, é muito sério a perda do nosso primeiro amor a Cristo!

«Aumentando cada vez mais o número dos seus membros, e devido à crescente responsabilidade, tornou-se necessária uma melhor organização. A organização traz um grande perigo, principalmente para sociedades cristãs que exigem uma lealdade especial por parte dos seus membros. O trabalho que os adeptos de uma organização assim realizam pode continuar, ainda mesmo em todos os aspectos exteriores, mas o incentivo poderá ser a lealdade a essa organização, poderá ser o desejo de vê-la crescer e prosperar.»

Aquela igreja retinha fé sem vacilações. Era ainda fiel aos seus princípios que consideramos fundamentais. Continuava fiel no serviço e zelo cristão. A sua motivação, porém, começava a alterar-se. O que de início era feito por amor a Cristo, o trabalho da igreja, toda a azáfama dos seus obreiros e membros, passou a ser feito em prol da igreja, em vez de ser feito por amor a Cristo.

E lealdade à Igreja nem sempre significa lealdade a Cristo; amor à Igreja nem sempre significa amor a Cristo!

Quando amamos a Igreja amamos a nós mesmos.
O amor a Cristo está em primeiro plano.
O segundo amor é a igreja.
E Éfeso tinha perdido aquele primeiro amor.
E o que é o primeiro amor?
É o amor que se sente por Cristo quando o Seu amor para connosco se torna real e é manifesta em nossas vidas; é o amor que nos constrange logo que o Senhor entra nos nossos corações e nos transporta das trevas para a Sua maravilhosa luz, da morte para a vida, do poder do diabo para a doce reconciliação e comunhão com Deus.
Quando a alma experimenta esta maravilha, então sentimo-nos dispostos a dar tudo por Cristo, porque Ele enche o nosso coração e torna-se tudo para nós.
Este primeiro amor é semelhante a uma planta muito preciosa e sensível, que carece de ser cuidada; porque se nos descuidamos, o vento seco do maligno dissipará nosso fervor, esfriará o nosso zelo e entusiasmo, extinguirá nossa exuberância e apagará a chama do amor a Cristo nos nossos corações, enchendo-nos com amor às coisas deste mundo, a coisas secundárias.
E a Igreja de Éfeso era escrupulosa na moral, fundamentalista na doutrina, mas tinha permitido que se esfriasse o seu primeiro amor. E quando uma igreja começa a descer por este declive, bem depressa abandonará a moral e a doutrina; e, perante tal perigo, o Senhor adverte: «Lembra-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres» (Apocalipse 2:5)

A exortação para que voltasse à prática das primeiras obras, prova a nossa anterior afirmação: pois quando uma igreja começa a esfriar no primeiro amor, bem depressa abandonará a doutrina e a moral. Prova outrossim, que a coisa mais importante na apreciação do Senhor é o amor ardente dos nossos corações por Ele e pelos que d’Ele são gerados (I João 5:1)
Nada O poderá satisfazer se acaso nos faltar esse amor.
Não existe, para este primeiro amor, «o amor dos desposórios» (Jeremias 2:2), qualquer substituto.
Nem o nosso entusiasmo no trabalho do Mestre, o nosso zelo constante e ardente, as vigílias e orações, correr-se daqui para acolá no desempenho da nossa missão de obreiros, etc, etc; nada disso substituirá o primeiro amor perdido.
O programa de Jesus Cristo para a salvação dos perdidos pecadores e da propagação do Seu Evangelho, eram para a Igreja de Éfeso uma fonte de inspiração, a razão da sua energia, que levava seus membros a trabalhar até a exaustão, e que implantavam nos seus corações o mais profundo anelo pela salvação das almas, e por que não dizer até, a determinado grau de rigidez no que à disciplina e sã moral de seus membros se podia exigir.
Todavia, Cristo aponta-lhes a grande falta, o «algo muito sério» que tinha contra aquela Igreja.
Mas nem tudo está perdido!
Para um pastor, para uma igreja, assim como para qualquer crente o caminho de volta à Fonte do primeiro amor é o caminho do arrependimento.
Assim, dizemos que o princípio de um verdadeiro e espiritual reavivamento, é a volta de uma igreja, do indivíduo ao primeiro amor.
Sem este divino amor derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos é dado, nada somos aos olhos do Senhor.
Embora uma igreja ou um indivíduo seja possuidor dos melhores dons espirituais, incluindo a fé que pode transportar montanhas, se não possuir este amor de Deus, apenas é metal que soa e sino que badala.
Nós sabemos que os sinos são usados nas igrejas, maioritariamente para chamar os fiéis ao culto. E o culto, com todo o seu ornamento e ritual, por muito bem organizado e enfeitado que seja, se o amor de Deus, tal como Ele nos ama e pretende que nos amemos uns aos outros com a mesma essência desse amor, não estiver em nossos corações, nada nos aproveitará.
O castiçal está a apagar-se e, se não utilizar-mos os «espevitadores» do arrependimento e da humilhação, «brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres» (Apocalipse 2:5).
Cristão, dá-te pressa em averiguar o que determinou que perdesses este divino amor por Deus, pela Igreja, pelos Irmãos, pela Palavra de Deus, pela Oração, pelas almas perdidas, etc.
E volta ao Senhor, que te ajudará.
O apóstolo S. Paulo muito solenemente diz: «A ninguém devais coisa alguma, a não ser amor com que vos ameis uns aos outros: porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás, e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume; Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. Escutemos digo isto, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé» (Romanos 13:8-11).
Paulo liga o problema do amor, esta «dívida» que quanto maior for para com todos tanto melhor para nós, à Segunda Vinda de Nosso Senhor.
E se queres ouvir, Igreja de Éfeso, o amor é o azeite na lâmpada e na almotolia das Virgens prudentes.

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