domingo, 28 de outubro de 2007

Como Jesus Vê as igrejas


Como Jesus vê as igrejas:
Pérgamo

Pérgamo significa «Elevado». Segundo Noel, esta igreja estava localizada numa das cidades mais fanáticas e pagãs.
Os cristãos, para se manterem fiéis, tiveram de armar-se de valor, porque viviam em constante perigo de virem a ser mortos por amor a Cristo. E o Senhor mesmo dá testemunho de Antipas (provavelmente um dos pastores da igreja) sofreu o martírio pela sua fidelidade ao Evangelho.

Apocalipse 2:12
«E ao anjo que está em Pérgamo, escreve: Isto diz Aquele que tem a espada aguda de dois fios:
Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é trono de satanás, e reténs a O eu nome, e não negaste a Minha fé, ainda nos dias de Antipas Minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde satanás habita.
Mas umas poucas de coisas tenho contra ti: porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balac a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem.
Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaitas, o que Eu aborreço.
Arrepende-te, pois, quando não, em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da Minha boca.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei Eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.»

Temos aqui uma igreja que vivia à sombra do trono de satanás! Esta expressão «trono de satanás» tem deixado os comentadores perplexos.
Será que as instituições satânicas em Pérgamo são mais perigosas do que em outra qualquer das cidades pagãs do mundo antigo?
O que nos deixa perplexos não é mais que satanás tenha um trono em Pérgamo, mas antes o facto de que tenha um trono; e quando esse trono se encontra numa cidade terrena, a sua presença ali dificulta a existência da igreja de Cristo.
O trono de satanás está, onde reina a idolatria e a superstição.
Toda a pompa e cerimonialismo, seja pagão ou pseudo cristão, todas as formalidades ritualistas, todos os paramentos, incenso, crucifixos, imagens, procissões, água benta, os papas e a sua hierarquia, santuários, as chamadas relíquias dos santos, encantamentos, superstições tudo o que veio da idolatria babilónica, transferido depois para o Império Romano e hoje se encontra misturado com o genuíno cristianismo, outra coisa não é senão «o trono de satanás».
Todo o falso cristianismo entroniza satanás.
Por que, pois, Pérgamo é designada como sendo a cidade onde assentava o trono de satanás?
É que a igreja fundada por satanás começou paulatinamente. Primeiro por feitos, os quais foram depois transformados em doutrinas.
A Carta de Éfeso, menciona as obras dos nicolaitas, na Carta de Pérgamo essas obras lá haviam assumido corpo de doutrina, e, por fim, atingiu o seu pleno desenvolvimento em Tiatira.
Foi baseada nessas doutrinas (que tiveram início em Pérgamo), que Jezabel conseguiu corromper a Igreja em Tiatira.
O cristianismo adulterado veio a converter-se, ao longo dos séculos, no algoz dos cristãos, e voltará a sê-lo novamente. Nos países comunistas a «Igreja Subterrânea» é perseguida pelos cristãos livres, que gozam de liberdade de reunião de culto. Sem dúvida que virá a ser instrumento de satanás na perseguição aos santos quando da hora da Tribulação.
O Senhor louvou a igreja pela sua coragem, demonstrada no fogo da perseguição que sofrera nos dias de Antipas. Para além deste aspecto favorável, outras coisas existiam no meio da igreja, que muito ofendiam ao Senhor, a ajuizar pelas Suas palavras «Mas umas poucas de coisas tenho contra ti…» (v.14).
Entre essas coisas se faz menção da doutrina de Balaão. Quem era Balaão? Um vidente ou profeta, filho de Beor que residia em Petor, na Mesopotânia. (Números 22:5)
Por instâncias de Balac, rei dos Moabitas, foi ele alugado para amaldiçoar os Israelitas, aos quais o rei temia.
Todavia, e por instrução e impulso divino, Balaão os abençoou, predizendo de maneira assaz brilhante, a grandeza futura e Israel. Estas são algumas das suas principais profecias:

«Vê-Lo-ei, mas não agora: contemplá-Lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacob, e um ceptro subirá de Israel…» (Números 24:17)
«Deus não é homem para que minta; nem filho do homem para que Se arrependa. Porventura diria Ele, e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria? Eis que recebi mandado de abençoar: pois Ele tem abençoado, e eu não o posso revogar.» (Números 23: 19,20)
Não existe, nas profecias da Balão, nada que o possa desacreditar. Ele seguiu as instruções de Deus em tudo quanto disse. A recompensa do seu trabalho só lhe seria atribuída no caso de lançar a maldição sobre Israel.
Segundo as ideias de muita gente, tais profetas tinham o curioso costume de entregar aos deuses destruidores os inimigos antes de entrarem em combate com eles. Ao tempo os Israelitas haviam começado a conquista de Canaã; e por isso o rei Moabe, juntamente com os seus confederados, procurou suster o avanço dos israelitas. Balaão, sendo avisado por Deus, recusou as intenções de Balac, ainda que no seu coração, desejasse e amasse o prémio que lhe era oferecido, (II Pedro 2:15).
Não aceitamos, embora ele tivesse observado grandes manifestações do poder de Deus, que Balão se tivesse convertido ao Senhor, pois mais tarde vamos encontra-lo empregando vilmente todos os esforços no sentido de conseguir a destruição dos israelitas, 8Números 25:1-9), e morreu quando combatia pelos Midianitas contra aqueles que ele havia pensado amaldiçoar, (Números 31:8,16).
Até este ponto vai a doutrina do Antigo Testamento acerca deste profeta. É no Novo Testamento, porém que levamos sobre o «erro de Balaão» sobre o «a doutrina de Balaão», e sobre o «caminho de Balaão». (Judas 11: II Pedro 2:15: Apocalipse 2:14)
A doutrina de Balaão consistia de duas particularidades distintas;
1ª Comer coisas sacrificadas aos ídolos
2ª Cometer prostituição
Se traduzir isto em termos compreensíveis e em relação à igreja, teremos o fabrico, uso e adoração de ídolos; e a contaminação com o mundo.
Para a Igreja, a fornicação, no sentimento espiritual, consiste no casamento com o mundo e em aceitar favores do governo humano. Por outras palavras, a doutrina de Balaão praticada por alguns dos membros da igreja de Pérgamo, consistia numa espécie de comunhão aberta com os pagãos. Era o que se pode dizer «querer estar bem com Deus e com o diabo ao mesmo tempo».
Quando se celebrava o culto cristão, aquelas pessoas acompanhavam os cristãos nas suas reuniões.
E no dia em que os pagãos celebravam as suas festividades idólatras, que degeneravam na mais grosseira imoralidade, os cristãos misturavam-se com os pagãos.
Um dia reuniam-se na Assembleia de Deus para celebrar a Ceia do Senhor, e outro dia reuniam-se com os pagãos para participarem dos seus manjares em honra a ídolos. Eram, ao mesmo tempo participantes da Mesa do Senhor e da mesa dos demónios. (I Coríntios 10:19-21)
Esta era a prática de alguns dos membros da Pérgamo, para não dizermos a de muitos cristãos dos nossos dias.
Não se pode, porém, servir a dois senhores!
Além destes dois seguidores da doutrina de Balaão, outros havia em Pérgamo que seguiam os nicolaitas.
Que extraordinário!
Uma igreja no meio da qual havia, pelo menos três correntes de doutrina e não sabemos quantos doutrinadores.
A doutrina de Cristo, a de Balaão e a dos nicolaitas!
Muito deviam estar traumatizados aqueles pobres crentes! Mas aberta ou deforma mais sofisticada, claramente do púlpito ou por um trabalho de sapa, estas doutrinas estavam lá, a corromper a alma de alguns, a estragar a unidade da igreja, a perverter a fé de muitos, embora a maioria fosse fiel ao nome de Jesus e guardasse a «Sua Fé» – o Evangelho!
Quanto aos nicolaitas, quem eram e o que ensinavam?
Admitem alguns de discípulos de um certo Nicolau não mencionado na Bíblia, cuja doutrina se podia resumir no seguinte conceito: «Se sois predestinados, pouco importa o modo como vivais, de qualquer maneira sereis salvos; se não sois predestinados, não importa como vivais, porque de todas as maneiras estareis perdidos.»
Admitem outros tratar-se de um grupo de pastores ambiciosos, que aspiravam estabelecer uma hierarquia dominante nas igrejas. João na sua terceira carta, faz referência a um certo Diótrefes, que amava ter a primazia (v. 9, 10).
E Paulo dizia aos anciãos da Igreja de Éfeso: «Porque eu sei isto: que depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho…» (Actos 20:29)
Pois bem, Diótrefes e os que com ele alinhavam contra o sistema democrático do governo da igreja local, eram oficiais da igreja local, eram pastores. Mas ao que parece, a doutrina dos nicolaitas praticada na igreja de Pérgamo não tinham o apoio do pastor, sendo seguida apenas por alguns leigos da igreja. Isto diz-nos que a mencionada doutrina não afectava profundamente o governo ou sistema moral da igreja. A opinião mais generalizada e aceitável é que os nicolaitas ensinavam uma doutrina, que propendia para a libertinagem, tanto no ensino como na moral.
Portanto, a igreja estava ofendendo a Deus, ao permitir que alguns dos seus membros ensinassem e praticassem a doutrina de Balaão e dos nicolaitas; e o Senhor exorta-a, dizendo: «Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da Minha boca.»
A igreja de Pérgamo não exercia a disciplina entre os membros, e este era o seu grande pecado, diante de Deus.
Deixar de condenar e, quando necessário, excluir o pecado do meio da igreja, é participar do mal.
Se nos tornamos culpados de semelhante transigência o caminho é voltarmos a Deus arrependidos; se não, a espada da verdade ferir-nos-á.

Sem comentários:

Enviar um comentário