sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Três pecadores


Três pecadores



«Ser pecador», é expressão que está perdendo dramaticamente seu verdadeiro significado.

O homem declara-se pecador com uma naturalidade constrangedora.

Falta-lhe a angústia de Isaías: “Ai de mim” e a aflição de Paulo “Miserável homem que sou”.

Para muitos, crime e pecado é a mesma coisa, sendo portanto o pecador uma pessoa fora da lei e procurada pela polícia.

Claro que os tais são pecadores, mas todos somos pecadores.

A palavra pecado é apresentada na Bíblia como fracasso, erro, iniquidade, transgressão, injustiça, etc.

O pecado é pré-histórico.

O ser humano foi tentado a pecar por parte de Satanás.

O promotor do pecado já existia por ocasião da tentação.

O pecado atingiu todos; é moléstia que não deixou um só homem de fora.

Isto não significa que a criatura humana é pervertida em tudo o que faz, mas que toda a natureza do homem foi atingida e poluída: corpo, alma, espírito, mente e emoções.

O pecado é, acima de tudo contra Deus, David dizia ao Senhor após a sua transgressão: “… contra Ti pequei” (Salmo 51: 4)

O pecado alterou as atitudes do homem para com Deus e também as do Criador para com a criatura.

O pecado leva o ser humano a fugir e a esconder-se, bem como a procurar emancipar-se do Todo-Poderoso: além do mais, Deus entristece-se e indigna-se em face do comportamento do transgressor.

Desejo referir-me em meia dúzia de linhas, a três espécies de pecadores, diferença que se pode encontrar na mesma pessoa, como no caso do filho pródigo mencionado por Cristo no Evangelho, (Lucas 15: 11,32).



*Pecador inconsciente.

O jovem da parábola alimentava-se, divertia-se, vivia na pândega, no seu novo ambiente, visto ter abandonado a casa e os conselhos paternos, tornando-se independente.

Nessa nova situação ele desconhece o seu verdadeiro estado. O pai, no entanto considera-o perdido, morto.

Todos nós que seguimos a Jesus vivemos essa espécie de vida: estivemos na mesma cegueira.

O inconvertido é comparado a um cego que não sabe normalmente onde está. “ Não sabes que és….um desgraçado e miserável e pobre e cego e nu” diz o Espírito Santo em Apocalipse 3:17.

Por tal motivo Deus concedeu ao apóstolo Paulo a missão de, mediante o anúncio do Evangelho, ir aos gentios para que os seus olhos fossem abertos, convertendo-se das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, (Actos 26:18).

Por que razão o ser humano não teme a ira de Deus?

Por que não se importa de fugir do Inferno?

Por que está ele inconsciente concernente às realidades espirituais?



*Pecador consciente.

“Aqui padeço”

Foi a descoberta do moço da parábola em causa.

Começou despertando lentamente; principiou a recuperar a razão quanto ao seu proceder e estado.

Tal como alguém que fica inconsciente, desmaia e é levado a um hospital ou outro lugar de socorro, ao recuperar os sentidos abre os olhos e fita admirado o lugar, as pessoas e as coisas, começando a inteirar-se que algo sucedeu.

Pergunta, interroga… que me aconteceu?

Onde estou?

Quem me trouxe para aqui?

Onde está a minha família?

Damos graças a Deus todos quantos já despertamos para o nosso estado espiritual.

Muitos recusaram-se a acordar; ofendem-se com o despertar pois, sentem-se bem adormecidos.

Terão um triste abrir de olhos na eternidade, como o rico que abriu em tormentos, (Lucas 16:23).

Acordar é bom, pois ficamos despertos para a realidade da nossa situação e dos passos que temos de dar.

Precisamos de ir mais além, como o pródigo em apreço. “Levantar-me-ei, e irei ter como meu pai, e dir-lhe-ei: Pai pequei contra o céu e perante ti” (Lucas 15:18).

Isto é a atitude dum indivíduo consciente e desperto.



* Pecador salvo.

“Estava morto e reviveu: tinha-se perdido, e achou-se” (Lucas 15:32).

Estas palavras disse-as o pai ao abraça-lo e beija-lo.

Não se tratava de um sonho ou de uma voz ouvida num momento de delírio, mas a voz do pai que ama e recebe.

O fato novo, os sapatos nos pés, o anel na mão, a festa em casa para comemorar o facto, são prova real que ele está salvo, que está nos braços do progenitor.

Quando o pecador se converte, o mesmo sabe que é salvo, não só pelo que Deus declara na Sua Palavra, mas por aquilo que ele próprio sente e experimenta.

Acabou a fome espiritual, o medo e a angústia.

O ambiente que nos rodeia já não são os suínos e o seu cheiro característico, porém, ambiente santo, hinos e oração a Deus.

Ser salvo é estar onde não se encontrava, e ser o que não era.

O tempo de perdido e espiritualmente morto pertence ao passado.

Podemos ouvir, pela fé, a voz de Deus dizer-nos: “Este meu filho estava morto… tinha-se perdido” mas isso era no passado.

No presente está são e salvo.

Antes não tinha nada, agora possui tudo.

Prezado leitor (a), em que situação espiritual se encontra?

É um pecador inconsciente, consciente ou salvo?

O estado do rapaz foi mudado por via da cooperação entre ele e seu pai.

O pródigo veio arrependido, confessando o seu pecado, e encontrou braços abertos e um coração repleto de amor.



Deus ricamente o (a) abençoe!



Pastor Manuel da Silva Moutinho

Novembro 1974

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