sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Os que saem da Igreja


Os que saem da Igreja



“A Bíblia não nos deixa confundidos”.



Falamos muito dos que entram na igreja local, dos que são agregados, dos que se juntam e fazem o aumento da mesma.

Não é bíblico que alguém, ao crer no Evangelho, fique isolado, solitário (Atos 2:44-47; 17:4).

Todos os convertidos deverão estar incluídos no corpo local ou rebanho do Senhor.



Não é bíblico também o crente ser membro de todas as igrejas.

Cada um tem a sua própria igreja onde desfruta de privilégios e tem responsabilidades (Provérbios 5:15).

Desprezar a igreja local é desprezar as palavras de Jesus, pois Ele é o edificador da igreja local e universal.

Defendemos, com bases bíblicas, ser a igreja universal composta por todos quantos nascem de novo e vivem em santificação, encontrando-se espalhados nos vários redis ou igrejas locais.



Precisamos mais que nunca falar dos que saem, pois a Bíblia fala deles, e esse conhecimento evita o pânico, admiração e desapontamento.

O nosso desejo é que não houvesse desertores, mas até o Senhor Jesus Cristo sofreu esse desgosto, tornando-o público na Sua oração: Ele guardara todos, menos um, o qual não estava ali entre os fiéis (João 17:12).



Mas porque saem as pessoas?

A Bíblia não nos deixa confundidos.

O modo como alguns entraram pode explicar-nos a razão porque saíram.

Vejamos porque se sai da igreja:



1 – Ingressa-se na Igreja influenciado por promessas.



Temos o exemplo dos que, no Egipto, ouviram a pregação de Moisés e de Aarão.

Eles anunciavam ao povo a saída do cativeiro e a posse de uma terra que manava leite e mel (Êxodo 4:28-31).

Não admira que, chegada a hora da saída, uma grande mistura de pessoas se juntou a Israel, não para agradarem e servirem a Deus, mas para desfrutarem das vantagens (Êxodo 12:38).

Muitos hoje agregam-se à igreja por emoção, a fim de terem benefícios materiais, saúde, sorte na vida, e até para arranjarem uma noiva ou um noivo…

Outros fazem-no para conseguirem emprego ou clientes no interior da igreja.

Não lemos acaso na Bíblia que certo povo concordou que os seus homens fossem circuncidados a fim de poderem depois casar? (Génesis 34:20-24).

O Senhor Jesus Cristo corrigiu aqueles que O buscavam tendo em vista apenas interesses terrenos (João 6:26).

Tais pessoas, portanto, satisfeitos os seus desejos, normalmente saem da igreja.



2 – Entra-se atraído por reformas sociais.



Lemos na Bíblia que um zelote tornou-se apóstolo de Cristo, cujo nome era Simão (Lucas 6:15).

Os zelotes eram um grupo de patriotas anti-romanos, que lutavam pelo retorno à observação da lei Mosaica, à conquista da independência nacional e expulsão dos Romanos.

Pareceu-lhes que a mensagem do divino Mestre se adequava aos seus sentimentos.

Posteriormente, todavia, concluíram que Jesus não viera para criar um reino literal no mundo (João 18:36).

Muitos ter-se-ão afastado, mas outros mudaram de opinião e seguiram Jesus Cristo.



Actualmente muitos entram na igreja julgando ter nela oportunidade de semear as suas ideias políticas.

Verificando não ser esse o alvo da igreja, mas sim evangelizar, o preparar o homem para a eternidade, afastam-se da igreja.





3 – A certa altura considera-se a doutrina dura.



Entretanto como voluntários (ninguém pode ser membro da igreja à força), determinados indivíduos julgam que depois podem viver e proceder como lhes der na real gana.

O facto é que somos apenas voluntários para receber Jesus, mas logo tomamos o Seu jugo e vivemos obedecendo à Sua doutrina (Romanos 6:17; Gálatas 6:16).



Tais pessoas aceitam facilmente entrar por um momento através da porta estreita, porém discordam em andar cada dia no caminho apertado.

Dizem-se privados da liberdade.

Querem o Salvador Jesus, mas nunca o Senhor Jesus (Lucas 19:14).

Para essas pessoas a doutrina é intromissão na sua vida privada, e saem (João 6:60-66; I Timóteo 6:3).



4 – Sem o Novo Nascimento a pessoa sente-se deslocada.



Essas sentem-se mal, tal como o canhoto no meio dos que não são canhotos.

Sentem-se como peixe fora de água.

Não se adaptam.

O ambiente não lhes é favorável.

Não caminham felizes, indo arrastados, medrosos, murmurando na retaguarda com a falta de coisas velhas (Números 11:1-10).



Esses descontentes começam por dizer não se sentirem bem, passando a formar adeptos. Aliciam e criam descontentes e saem.

Isso mesmo está escrito no primeiro salmo: “… os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos” (Salmo 1:5).

Sé se mantém alegre no caminho santo aquele que tem uma natureza santa (Isaías 35:8; Oséias 14:9).



5 – É-se vítima de falsas doutrinas.



O mundo sempre teve falsas doutrinas.

Doutrinas parecidas.

Até milagres espectaculares.

Jesus advertiu-nos disso mesmo (Mateus 24:24).



Não é por acaso que o apóstolo João recomenda não se receber em casa semelhantes pessoas (II João v.10).

Pedro afirma que haverá falsos doutores, os quais introduzirão heresias, e muitos seguirão as suas doutrinas (II Pedro 2:1; I Timóteo 4:1-2; II Timóteo 4:4; Atos 20:30).

De início, os que saem julgam encontrar finalmente a verdadeira igreja…







6 – A consciência obriga-os a sair.



Andavam no nosso meio com hipocrisia, comprometidos.

Acabam por não poderem fingir mais.

Um estudo bíblico ou uma exortação traz à luz o que se encontrava escondido. Resolvem sair antes de serem excluídos pela igreja (I Coríntios 5:13).

Esses preferem mesmo dizer: “Eu saí”, para não terem de dizerem “Excluíram-me” (I Coríntios 11:19; I João 2:19; Atos 1:25).



Tais pessoas não trocam a salvação pelo mundo, porque, no íntimo, nunca deixaram o mundo.

Viveram sempre dissolutamente, embora de forma disfarçada.

Eram pródigos dentro da própria igreja (Lucas 15:13).



7 – Troca-se de Denominação.



Satanás usa, para mal, a existência de Denominações Cristãs.

Há igrejas a fazerem concorrência às suas congéneres, utilizando processos comerciais.

Anunciam que é mais fácil ser-se crente entre eles, como tendo mercadoria mais barata.

Aí tudo é permitido; há liberdade total para frequentar todo e qualquer lugar, para se fazer e usar o que quer que seja.

As mesmas recebem tudo quanto aparece, aparentando muito zelo pelos crentes das outras igrejas, mas o alvo é que depois tenham zelo por eles entregando chorudas ofertas (Gálatas 4:17).



Crentes há que até preferem mudar de igreja a reconciliar-se com o seu irmão… Muitos saem desprezando quem os ajudou a nascer, a andar, a vencer no aspecto espiritual, revelando desse modo a sua ingratidão (Oséias 11:3).



Alguns saem em busca de igrejas perfeitas onde não existam hipócritas, mas essa igreja só se encontrará no Céu.

Nas igrejas da Ásia Menor (Apocalipse capítulos 2-3), havia muita imperfeição, mas ninguém era exortado a sair, a dividir, ou a abrir novas igrejas, porém a ficar dentro, dando bom testemunho, bom exemplo.









8 – É-se arrastado por pessoas vingativas.



Muitos usam de vingança, começando a dizer todo o mal dos sinceros homens de Deus, os quais não sendo perfeitos, são leais à Bíblia (II João v.10; Filipenses 1:15).

Dizer mal dos ministros do evangelho mais antigos e considerados não é nada de novo.

Aquilo, porém, que o homem semear, isso colherá.

Esse tipo de procedimento traz à luz o que as pessoas são na realidade, e não o que aparentavam ser.



9 – Fica-se decepcionado por não se alcançar a liderança na igreja.



“Aquele que se separa, busca o seu próprio desejo” e não o do Senhor (Provérbios 18:1).

A sede de liderança domina de tal maneira alguns, que os mesmos não sabem esperar a sua hora.

Agem na carne, como Moisés, imaginando ser com violência que se atinge a chefia (Atos 7:25).

Consideram-se na prateleira, sentindo-se incompreendidos e desaproveitados.

A muitos deles falta o espírito de Jónatas: o gosto de ser segundo, o prazer de ser-se cooperador (I Samuel 23:17; Colossenses 4:11).

Deus está atento ao modo como cooperamos, e só aquele que servir fielmente como Josué será apontado por Deus para liderar, para dirigir.



Finalizo este artigo com as palavras da Escritura Sagrada:

“Não deixando a nossa congregação como é costume de alguns (…). Nós porém, não somos daqueles que se retiram…” (Hebreus 10:25-39).





(Pastor M. Moutinho / Outubro 1992)

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