sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O Santo da minha devoção


O Santo da minha devoção



Normalmente todos quantos praticam o Catolicismo Romano, têm o santo da sua devoção.

Escolheram-no entre centenas que lhe são oferecidos pela religião.

Uns escolheram aquele que é cultuado na aldeia da sua naturalidade, lá na capelinha da ermida.

Outros optaram por algum festejado bem longe, só porque ouviram dos seus pretensos milagres. Outros, ainda porque sofrendo de certos males, invocam aquele que julgam possuírem virtudes para minorar os seus padecimentos.

Não é segredo para ninguém que os entre os santos do Romanismo uns são especialistas em curar doenças da vista, outros para auxiliar senhoras de parto, outros para darem protecção a motoristas, pescadores, caçadores, etc, etc.

Mas porque fomenta o Catolicismo este culto aos santos?

Precisamente porque ensinam que Deus, sendo infinitamente Santo, Se encontra separado dos homens e até zangado com esta humanidade decaída, sendo por tal motivo necessário recorrer a esses intercessores, que não sendo santos como o Criador, não são também tão perversos como os outros homens, servindo por isso de ponte e de canal por onde Deus envia os Seus benefícios.

Até para perdoar pecados, segundo o Catolicismo Romano, Deus entregou isso aos sacerdotes.

Nada mais absurdo que semelhante ensino, porque além do mais, dá ao mundo uma imagem errada do coração de Deus.

Os Cristãos Evangélicos norteiam-se única e exclusivamente pela Bíblia, tal com faziam os Profetas, o próprio Jesus e os Apóstolos, crendo apenas no que está escrito e pregando só o que Deus nos revela na Sua Palavra, pois a mesma é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Salmo 119:105).

Sim, é na Escritura Sagrada que lemos haver um só Mediador entre Deus e os homens, como escreve S. Paulo (I Timóteo 2:5).

Outro apóstolo afirma claramente que temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo (I João 2:1).

Agora pertence a cada um de nós aceitar o testemunho da Escritura ou dos homens.

É de facto lamentável que até pessoas bem intencionadas clamem a seres que não podem salvar (Isaías 45:20).

Sentimos a mesma revolta de Jesus quando acusou os Judeus por invadirem a Palavra de Deus mediante a tradição religiosa (Mateus 15:6).

O Senhor Jesus, ao ensinar-nos a orar, aconselha a dirigir-nos a Deus Pai.

Não é assim que aprendemos no Pai-nosso?

Esclarece Jesus que os verdadeiros adoradores adoram o Pai (João 4:23).

Então como chamar aos que não adoram dessa forma?

A resposta é dura, mas é preciso dizê-lo claramente. Falsos adoradores.

O Criador ama-nos como ninguém.

Ele quer o nosso bem.

Seus ouvidos estão atentos ao homem que, arrependido, clama a Ele com sinceridade e verdade.

O pródigo da parábola, ao regressar a casa foi directamente ter com o pai. Isso deve-mos fazer, através de Jesus Cristo, que vive para interceder por nós.

Uma senhora, em conversa comigo, mencionou o nome do santo da sua devoção. Perante o meu silêncio, ela procurou saber se eu, sendo religioso, também tinha o meu. Respondi-lhe afirmativamente. E ele insiste: Quem é o seu? Como se chama?

Então abri a Bíblia e li-lhe este versículo: “Eu sou o Senhor, vosso Santo, o Criador…” (Isaías 43:15). Folheei mais um pouco e li: “Não és tu desde sempre, ó Senhor, meu Deus, meu Santo?” (Habacuque 1:12).

A nossa conversa prolongou-se por muito tempo, procurando eu mostrar-lhe a razão da minha escolha e o pecado grave bem como a inutilidade de se escolher um Mediador além de Jesus, o único dado por Deus, pois Pedro afirmou: “Em nenhum outro há salvação” (Atos 4:12).

A senhora despediu-se de mim, vencida mas não convencida, desculpando-se com o que aprendera desde pequena.

Então lembrei-me do que diz o Salmista: “Andam errados desde que nasceram proferindo mentiras” (Salmo 58:3).

É triste o que diz o profeta Jeremias, mas tem o seu lugar: “Os nossos pais herdaram só mentiras e vaidades, em que não há proveito” (Jeremias 16:19).

Que responsabilidade daqueles que ensinam mentira! (ver texto de Jeremias 23:13).

Estimado amigo, com prazer repito que Deu, o meu Criador, é o Santo da minha devoção.

A Ele canto, adoro, clamo, oro. Sim porque só Ele é digno de ser adorado.

O meu Santo não foi eleito ou canonizado em Concílio algum de homens falíveis.

O meu Santo é, como diz o profeta Isaías: SANTO, SANTO, SANTO.

Este meu Santo inspira santidade nos seus adoradores.

Ele exige: “Sede santos, porque Eu sou Santo” (I Pedro 1:16).

Ele não espera que sejamos santos depois de morrer, mas ensina-nos a ser “santos em toda a nossa maneira de viver” (I Pedro 1:15).

A própria Palavra que lemos e pregamos é poderosa e produz santificação (João 17:17).

Que ausência de santidade na vida íntima, no lazer, nas conversações, negócios, etc., daqueles que possuem outros santos, pois é bíblico o homem semelhante ao que adora (Salmo 115:8).

Há sem dúvida, nova vida no homem que se converte ao Evangelho.

“Deus deve ser em extremo tremendo na assembleia dos Santos, e grandemente reverenciado por todos os que O cercam” (Salmo 89:7).

Que diferença duma reunião em que nos juntamos para adorar e exaltar esse Deus Santo para aquelas festas e romarias em nome e honra dos santos da devoção do mundo!

Sim as festas a S. Pedro, S. João e outros estão mescladas de paganismo onde o álcool, a imoralidade, a desordem, etc., se misturam com a procissão da imagem dos tais santos da devoção popular.

No culto verdadeiro a Deus existe confissão, humilhação, lágrimas de arrependimento.

Onde a presença divina se faz sentir, esse ambiente de temor e reverência tem de existir.

O Santo da minha devoção ajuda-me a subir, pois está escrito na Bíblia: “Para o entendido, o caminho da vida é para cima, para que ele se desvie do Inferno que está em baixo” (Provérbios 15:24).

Para baixo, diz o povo, não falta quem ajude, mas o meu Santo ajuda-me a subir o nível de vida moral, da lama, e acima de tudo para a Glória.

Deus corrige-nos para que nos “tornemos participantes da Sua santidade” (Hebreus 12:10).

“Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele servirás” (Mateus 4:10).

Quando nos convertemos a Cristo termina toda a outra espécie de culto, seja ela qual for.

É pecado de idolatria.

“Adora a Deus”, foi a exortação do anjo a João (Apocalipse 19:10).

Nunca Jesus ou os Apóstolos ensinaram a cultuar a Deus por via de santos.

“Ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará” (Mateus 6:6).

Josué, ao dizer ao povo que escolhesse servir a Deus fielmente ou voltar à idolatria que praticara no Egipto, exigia que para se adorar a Deus era necessário deitar fora tudo quanto fosse deuses estranhos (Josué 24:21-23).

O Santo da minha devoção é muito claro acerca disto quando afirma:

“Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8).

Deus não aceita louvor e culto feito em nome de santos ou imagens.

Os homens desculpam-se no uso de imagens com o respeito devido às fotografias de familiares.

Fotografias, porém, não são imagens, nem ídolos.

Os retratos reproduzem os traços exactos das pessoas que já partiram deste mundo, mas uma imagem é pura imaginação, sendo totalmente diferentes umas das outras, embora com o nome do mesmo santo.

Se eu tivesse a fotografia autêntica de Jesus iria guardá-la com estima, mas nunca me ajoelhava a fazer-lhe petições.

É bíblico recordar e imitar a vida dos santos, mas é pecado adora-los.

Tome hoje a decisão de Deus ser, a partir de agora, o Santo da sua devoção.



(Pastor M. Moutinho / Maio 1998)

Sem comentários:

Enviar um comentário