sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Honrando os pais


Honrando os pais.

Atravessamos uma época de crise, e o ambiente familiar não foge à regra. Novos padrões sociais estão a invadir o mundo e é preciso qua a juventude crente não se deixe arrastar por tais hábitos, mas saiba que isso é sinal dos dias finais, pois assim diz a Escritura: «Nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, preguiçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.» (II Timóteo 3: 1,2)

Actualmente, grande parte dos filhos encontram-se em casa de amas, colégios ou instituições, estando apenas com os pais um ou dois dias por semana.

A sociedade, no futuro, vai ressentir-se de tal sistema, sendo cada vez mais uma sociedade fria, indiferente e insensível.

No lar, é frequente ver-se a criança correr para a mãe, com a sua carinha de choro, com o beicinho característico, apontando o lugar onde se magoou, para sair de seguida, depois de um beijo e um afago materno. É terna a figura da criança chorando no regaço da mãe ou nos braços do pai. Pouco a pouco o mundo vai perdendo o calor do lar e da família. O lar é o lugar destinado por Deus para a criação e desenvolvimento da criança.

Muitas coisas podem ser ditas em prol dos infantários, colégios, etc. Nessas instituições as crianças perdem certas pieguices originadas pelos mimos por vezes desmedidos e incontrolados dos familiares, mas os bons costumes e o calor humano, recebidos no lar, é mil vezes preferível.

Até ao casamento, o lar é o lugar dos filhos; não poucas vezes, já depois de consorciados, querem continuar no mesmo, pois é difícil abandonar aquela casa de tão grandes recordações.

Um número cada vez maior de jovens solteiros, optando por uma vida independente, alugam um quarto e deixam os progenitores. O jovem crente não deverá trocar o lar pelo café ou qualquer outra coisa do género.

O lar é o lugar onde ele deve receber e transmitir carinho e não apenas comer e dormir.

No lar deve trabalhar, ajudar no que é necessário, e não limitar-se a ler a «Crónica», um romance ou a ouvir música com o gira-discos até à exaustão.

Os pais necessitam fazer tudo para o lar ser atraente e agradável, tal como os pássaros que não só constroem o ninho, como o forram com penas tiradas de si próprios, a fim de torna-lo macio e quentinho para os filhotes que irão nascer.

Lar onde os pais se guerreiam mutuamente e passam tempos sem se falarem, não é o lugar ideal para os filhos.

Temos assistido a cenas tristes, vendo jovens discutindo com os próprios pais. Há pais que têm medo de contrariar os filhos e fazem-lhes todas as vontadinhas, havendo autênticas zaragatas se aqueles os contrariam.

Os jovens crentes não são perfeitos, como os progenitores o não são, mas há coisas que não podem existir num lar cristão.

Sei haver casos em que os filhos têm de estar longe do lar por razões escolares ou profissionais. Mas nessas circunstâncias deverão manter contacto regular com os pais por meio de correspondência, por exemplo, aconselhando-se acerca de determinados problemas.

Vem-nos à lembrança uma crente velhinha que nos cultos de oração, costumava pedir a Deus que tocasse no coração do filho ausente para que o mesmo lhe escrevesse uma cartinha… Sempre tive pena dela.

Quanto devemos a essa mulher a quem chamamos mãe!

O jovem leitor já reflectiu no sofrimento da sua progenitora durante os meses que o trouxe no ventre? Já pensou como o seu corpo ficou deformado nesse período, pés inchado, o andar pesado e vagaroso, o dormir alterado, sujeita a cuidados médicos e até, porventura internamento e operações para que nascesse?

E esse homem a que chama pai, apesar de não haver sofrido fisicamente, compartilhou desses cuidados e aflições, trabalhando com sacrifício para que nada faltasse ao bebé.

E as noites sem dormir com o menino ao colo, porque o mesmo chorava com dores de ouvidos, dentes, etc?

Deus olha para o modo como tratamos os nossos pais. Ele promete prolongar os dias de vida aos que assim fazem. Não deixemos que partam, para depois chorarmos a sua falta.

No término destas linhas relatamos uma história verdadeira que nos comoveu bastante.

Certa mulher viúva e com quatro crianças nos braços, portanto em situação precária. Vendo-se sozinha empregou esforços heróicos para as educar.

Dava lições, costurava e desempenhava toda a espécie de serviços, a fim de ganhar o suficiente para internar os filhos no colégio da cidade distante, de modo a receberem melhor instrução.

Quando todos voltaram definitivamente para casa, terminado o curso, a mãe estava velha e fatigada.

Depressa casaram, seguindo cada um o seu caminho, e a pobre mãe esquecida.

Assim decorreram alguns anos.

Um dia, as perturbações mentais de que a mãe padecia agravaram-se pelas contrariedades sofridas, pela solidão em que se encontrava, e sobretudo pelo sentimento de não haverem sido apreciados pelos filhos os esforços titânicos que a envelheceram e arruinaram.

Foi então que os filhos compreenderam o seu grande descuido, apresentando-se todos a visitar a mãe já no leito da morte, e sobre ela debruçaram-se a chorar.

Um dos filhos afagou-lhe o rosto e disse: «Mãezinha, foste tão boa para nós!»

O rosto agonizante coloriu-se levemente e, abrindo os olhos, murmurou apenas estas palavras: «Por que o não disseste mais cedo, meu filho?».

Depois suas pupilas embaciaram-se, e ela morreu, deixando os filhos a soluçar de arrependimento.

O seu caixão desaparecia sob uma montanha de flores, e o funeral que os filhos determinaram atingiu uma importância avultada… Não é deste modo que o amor actua.

O amor, digno desse nome, semeia flores, sim, mas ao longo do caminho dos vivos.

Pastor: Manuel Moutinho

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