sexta-feira, 28 de setembro de 2007

E os outros?


E os outros?



O baptismo no Espírito Santo traz bênçãos gloriosas, como por exemplo poder ou virtudes, (Lucas 24:49).

Não apenas, como muitos pensam, poder para efectuar curas milagres, mas fundamentalmente para testificar de Jesus, perdoar as fraquezas dos nossos inimigos, amar, sofrer a tribulação, poder para frutificar, etc.

Que diferença observamos nos crentes antes e depois do baptismo no Espírito Santo! Já não os vemos fugido, espalhados, tímidos, mas juntos, alegres, corajosos, falando bem alto do que experimentaram.

Há um texto nas Escrituras Sagradas para o qual solicito a especial atenção ao crente. No mesmo, o apóstolo Paulo declara ter Jesus sido visto certa ocasião, após ressuscitar dos mortos, por mais de quinhentos irmãos, (I Coríntios 15:6).

Sendo assim, e sabendo que apenas uns cento e vinte receberam o baptismo no Espírito Santo, no dia de Pentecostes, onde estavam ou por que não receberam a mesma bênção os restantes trezentos e oitenta?

É possível que tenham sido baptizados no Espírito mais tarde, mas porque não logo?

Aqueles cristãos fazem-me pensar num grupo bastante numeroso de crentes que enche as nossas casas de oração, sem possuir experiência pentecostal.

Terá Deus feito distinção entre os cento e vinte e os trezentos e oitenta?

Claro que não. Ninguém poderá atribuir as culpas a Deus por esse facto, ainda que muitos o façam de modo indirecto quando se justificam: - o Senhor entende que ainda não sou perfeito, não tenho o grau de fé necessário, não consigo resistir a algumas fraquezas, etc.

Os referidos crentes esquecem que o baptismo no Espírito Santo é, como a salvação, um dom (Actos 2:38) e não um prémio concedido em troca de algum serviço.

Via de regra são precisas duas coisas antes que a pessoa receba a plenitude do Espírito. Como está escrito: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja baptizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Actos 2:38).

O Deus soberano pode mudar as coisas, como em casa de Cornélio, no entanto o princípio bíblico é este, ao qual não podemos fugir.

Se alguém não se arrependeu verdadeiramente ou se se descuida em obedecer ao mandamento do baptismo nas águas não pode receber o baptismo do espírito.

Outros talvez ainda não o tenham recebido porque o seu pastor, à semelhança de Apolo, apesar de bom pregador, eloquente e culto, não crê na actualidade desta promessa. Desta forma, suas igrejas estão cheias de bons cristãos, mas sem fogo do Espírito, como os crentes em Éfeso, (Actos 19: 1-3).

Outros ainda, por recearem ficar demasiado excitados e descontrolados, resolvem não buscar a plenitude do Espírito. Tais pessoas ignoram que esses ocasionais excessos não provêm do Espírito, mas do próprio individuo que reage mais ou menos emocionalmente ao receber tal bênção, pois o Espírito Santo é o Espírito de sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, conhecimento e temor do Senhor. (Isaías 11:2)

Vejamos as quatro possíveis razões porque aqueles crentes não receberam a promessa do Pai: (Actos 1:4).



1- Não se encontravam com os restantes: Faltaram ao culto (no cenáculo alto), e o divino Paracleto não foi procura-los nas suas casas ou ocupações. Tomé por exemplo duvidou da ressurreição de Cristo por não haver estado presente. Como pretende o crente ser baptizado no Espírito Santo se falta tanto aos cultos de oração?

2- Estavam ocupados noutras coisas: Sabiam que os cultos se realizavam, cada dia, até receberem a promessa, todavia deram prioridade a outras coisas. “Depois irei”, comentaram consigo mesmos. Muitos, como Marta, achavam-se afadigados com questões de somenos, que podiam ser tratadas mais tarde, mas a que certos cristãos atribuem mais importância. Uma loja por abrir, um enxoval por acabar, uns trabalhos para ultimar, enfim, mil coisas que impedem a assistência ao culto de oração.

3- Não perseveram. Foram dez dias consecutivos de cultos de oração perseverante. Creio que os ditos crentes estiveram em algumas reuniões, esperando o cumprimento da promessa de Jesus no primeiro ou segundo dia. Pensaram que tardava, e não aguardaram mais. Perderam a esperança. Deixaram de assistir aos cultos seguintes. Quando souberam do sucedido, certamente choraram por não haverem perseverado. Em cultos de avivamento espiritual, temos assistido a casos semelhantes; irmãos que não aguentam uma semana inteira desses cultos, e não voltam. Que o crente não se esqueça do ensino de Jesus, nos casos da viúva da parábola e de Elias no monte Carmelo. Permaneça orando, pedindo, buscando.

4- Não apreciaram devidamente a promessa. É possível que muitos desses cristãos tenham pensado ser desnecessário o baptismo no Espírito Santo. Isso era assunto mais próprio para pregadores, pastores e outros irmãos que executam determinados trabalhos na igreja… Será o leitor crente uma pessoa deste cariz? Cada cristão carece deste baptismo. Ele é para nós, para nossos filhos, para os que estão longe; para tantos quantos Deus nosso Senhor chamar, (Actos 2:39). Qualquer tarefa, espiritual ou secular, será muito melhor executada se estivermos cheios do Espírito Santo. Seremos melhores pais ou filhos, se possuirmos essa experiência. A vontade de Deus é que todos sejam cheios do Espírito Santo.





(Pastor Manuel Moutinho/ Junho 1975)

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