sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Bendita desobediência


Bendita desobediência



A obediência a Deus, aos pais, aos pastores e às autoridades é recomendada na Bíblia.

Aos obedientes são prometidas bênçãos, mas aos desobedientes penalidades.

O exemplo de Saul é bem conhecido, pois o Senhor rejeitou-o como rei de Israel por causa da desobediência cometida, ouvindo do profeta Samuel as seguintes palavras: “O obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria.” (I Samuel 15:22-23)

Neste artigo, porém, desejamos considerar o tema bendita desobediência, inspirado no exemplo de um personagem bíblico que desobedeceu, advindo-lhe por esse facto um grande benefício.

Tal desobediência é ensinada e apoiada nas Escrituras.

Sempre que alguém se opõe e levanta contra Deus e a verdade, não há outro caminho que não seja a desobediência.

No Evangelho segundo Marcos 10:46-52, lemos acerca de um pobre cego que se achava à beira do caminho mendigando.

Sente-se intrigado com o rumor de muitos passos e uma vozearia fora do comum, e pergunta o que se trata. “Jesus de Nazaré está passando!”, respondem-lhe.

Dificilmente entenderemos o que experimentou aquele coração. O nome de Jesus era decerto bem conhecido por ele, pois a fama do Nazareno espalhava-se pelas cidades e aldeias de Israel.

Aquele invisual, todavia, não tinha possibilidade de procura-Lo, a fim de recuperar miraculosamente a vista, e também não possuí-a amigos para levá-lo à presença do Salvador.

Sentiu ser essa sua única oportunidade, pelo que, vencendo a timidez, começou a gritar: “Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!”

Fez isto constantemente, na esperança de que o seu apelo aflitivo chegasse aos ouvidos do divino Mestre.

A multidão não ajuda; os que se encontravam perto de Jesus permaneceram alheios às súplicas do mendigo.

As pessoas passam indiferentes, mas ele continua a clamar.

Incomodados pelos gritos de Bartimeu, repreendem-no para que se cale.

Quem pode todavia calar um necessitado que vê a bênção a dois passos da sua vida?

Quem pode reduzir ao silêncio uma alma que sabe poder Cristo acabar, naquele momento, com a sua infelicidade?

A multidão está incomodada, pois não sente a necessidade de Bartimeu; a fé do cego parece-lhes loucura, e seus clamores vãos. “Cala-te”, diziam os que passavam, mas ele clamava cada vez mais. “Filho de David, tem misericórdia de mim!”.

Jesus ouviu, parou e mandou que lhe trouxessem o cego, e só então o povo se desfez em amabilidades… – “Tem bom ânimo: Levanta-te que Ele te chama.”

Mais uns segundos, e o cego chega junto de Jesus: “ Mestre, que eu tenha vista”.

E o Senhor disse-lhe: “Vai, a tua fé te salvou!”. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.

Bendita desobediência de Bartimeu, pois graças a ela foi ouvido por Cristo e recebeu cura.

Parece que não se havia comportado de forma nada ortodoxa em público, mas estava em jogo a sua felicidade.

Quando alguém está em perigo urge que seja salvo.

Bartimeu deve ter dito muitas vezes:

“Olha se eu tivesse obedecido à multidão! Ainda hoje era cego.”

Prezado amigo, esta desobediência tem de ser praticada ainda hoje pelos que desejam os benefícios de Deus, pois aquela multidão deixou descendência…. Onde houver uma pessoa que sabe estar em Jesus e no Seu Evangelho o que necessita, logo os familiares, os vizinhos, os amigos, os colegas de trabalho, os religiosos procuram travar esse desejo e ditar proibições: “Cala-te, não fales mais; tem juízo, tem vergonha!”

Como se o simples facto de ser crente evangélico seja uma desonra para o bom-nome da família, uma coisa repugnante que o marido não deseje ver na presença da esposa, nos filhos ou nos pais…

A proibição sobe de tom à medida que a alma faminta insiste em seguir Jesus.

Ameaças, insultos, agressões são a arma satânica que actua a fim de impedir a felicidade e a salvação das pobres criaturas.

Não há outro caminho senão seguir o exemplo de Bartimeu, permanecendo-se firme nas convicções.

Ser desobediente, neste caso, é uma virtude. O Senhor Jesus Cristo afirmou: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim: e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim não é digno de Mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após Mim, não é digno de Mim”, (Mateus 10:37-38).

O apóstolo Pedro, quando foi proibido de falar acerca de Jesus, retorquiu: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Actos 5:29).

Há um texto no Velho Testamento que diz: “Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará” (Eclesiastes 11:4).

Isto quer dizer que se estivermos à espera de autorização e facilidades para optarmos por Jesus, se estivermos esperando melhores dias para nos converter a Ele, jamais seremos crentes.

Solteiro ou casado, filho ou pai, superior ou subordinado, o caminho é seguir a Cristo.

Inúmeros crentes dão testemunho de que nesta desobediência ganharam os seus familiares pelo porte e pelo bom testemunho.



(Pastor M. Moutinho / Fevereiro 1976)

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