terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A BELEZA EM CADA SER É UMA ALEGRIA ETERNA





A BELEZA EM CADA SER É UMA ALEGRIA ETERNA


A beleza em cada ser é uma alegria eterna:
o seu encanto torna-se maior e nunca se há-de perder
no nada; reservar-nos-á ainda um refúgio
de paz, onde adormeceremos habitados por sonhos
suaves, a felicidade do nosso corpo, uma respiração branda.
Comecemos, assim, a tecer em cada manhã
uma grinalda de flores para nos unirmos à terra,
apesar do desalento, da ausência daqueles
cuja nobreza amávamos, dos dias cheios de escuridão,
de todos os caminhos insalubres e misteriosos,
abertos para os nossos anseios; sim, apesar de tudo,
uma forma de beleza afasta o sudário
das nossas almas sombrias. Assim é o sol, a lua,
as antigas ou novas árvores cuja bênção faz germinar
a sombra sobre os humildes rebanhos; os narcisos
e o mundo verdejante que os cerca; e os límpidos rios
que para si criam um dossel de frescura
durante as estações ardentes; os silvados do bosque
enriquecidos pelo belo, nascente esplendor das rosas;
e, também, a magnificência do destino
que imaginamos para os mortos poderosos;
as histórias encantadoras que lemos ou escutamos:
fonte inesgotável duma imortal bebida,
que vem do limiar do céu e para nós se derrama.

E não é apenas por algumas horas passageiras
que nos abandonamos a estas essências; assim como as árvores
murmurando à volta dum templo logo se tornam
tão amadas como o próprio templo, também a lua
e a paixão da poesia, glórias infinitas, tantas vezes
nos assombram, até serem uma luz vivificadora
da alma, e com tanta firmeza nos cingem,
para que, esteja a brilhar o sol ou se apaguem os céus,
elas existam eternamente em nós, ou morreremos.


Keats

[In Poesia Romântica Inglesa, Byron, Shelley, Keats,  prefácio e tradução de Fernando Guimarães, Relógio D´Água, Lisboa, 2010, p. 113]





AMPLITUDE










segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

COMO TU

COMO TU



Eu, tal como tu,
amo o amor, a vida, o doce encanto
das coisas, a paisagem
do céu do mês de Janeiro.
Também meu sangue se agita
e rio com olhos que bem conhecem
o brotar das lágrimas.
Creio que o mundo é belo,
que a poesia é como o pão, de todos.
E que minhas veias não acabam em mim
mas no sangue unânime
daqueles que lutam pela vida,
pelo amor,
pelas coisas,
a paisagem e o pão,
a poesia de todos.


Roque Dalton

Fonte: http://ruadaspretas.blogspot.pt/2016/01/roque-dalton-como-tu.html 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sensibilidades

Sensibilidades



Por vezes, a facilidade com que habitualmente transmito o que me vai na alma esquiva-se. 
O turbilhão que em mim se instala enreda-me o coração, as palavras e a mente. 
Anseio falar mas impera o silêncio.
Os olhares que me rodeiam desesperam na tentativa de captar aquilo que não transmito. 
Tarefa árdua a deles se nem mesmo eu me decifro nesses momentos.
- Preciso de tempo – é a única coisa que me ocorre dizer, a única que consigo balbuciar por entre os meus suspiros interiores.
Pouco depois o âmago aquieta-se, a tempestade passa, e eu renasço outra vez. 
FR® 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O aprendiz



O aprendiz

Primeiro construí na areia, depois na rocha,
Quando a rocha ruiu,
Não construí mais nada.
Depois construí muitas vezes de novo
Ora na areia, ora na rocha, porém
Eu aprendi.

Aqueles a quem confiei a carta
Jogaram-na fora. Os outros, que nem notei,
A mim a trouxeram de volta.
Então aprendi.

O que eu mandei fazer não foi realizado,
Mas quando cheguei ao lugar
Vi que seria errado. O certo
Foi feito.
Disso eu aprendi.

As cicatrizes doem
No tempo frio.
Mas eu digo sempre: só o túmulo
Não me ensina mais nada.


Bertold Brecht

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

(XVII)




(XVII)


Não desafies 
a alegria. 

Quando ela chegue 
um instante só 
não lhe perguntes 
porquê? 

Estende as mãos ávidas 
para o calor 
da cinza fria. 


João José Cochofel

Outono





A luz mudou,
o dó está mais cavo agora.
E a canção da manhã retumba no espaço.

Eis a luz outonal, não a luz da primavera.
A luz de outono: Tu não serás poupado.
A canção mudou, penetrada
pelo indizível.

Eis a luz de outono, não a que diz:
Nasci de novo.
Não a aurora da primavera: Fiz força, sofri, fui parida.
Eis o presente, alegoria de desperdício.
Muito mudou, mas tu tens sorte: 
o ideal arde em ti como febre.
Ou não como febre, mas como um segundo coração.

A canção mudou, mas é ainda uma beleza.
Confinada agora a um espaço mais pequeno, 
o espaço da mente.
Um pouco triste, algo desolada, angustiosa.

Mas comparecem, as notas, rondam estranhamente,
antecipando o silêncio.
E o ouvido habitua-se a elas,
como os olhos se habituam à ausência.

Tu não serás poupado, nem será poupado o teu amor.
Um vento veio e se foi, desarticulando a mente
e deixando no seu rasto uma estranha lucidez.

Ó privilégio, este de viver com paixão
agarrado àquilo que se ama,
não ser destruído pela perda da esperança.

Maestro, doloroso:
Eis a luz de outono, derramada sobre nós.
Ó privilégio, acercar-se do fim 
e crer ainda em alguma coisa.

Louise Glück
(Trad. A.M.)

http://ruadaspretas.blogspot.pt/search?updated-max=2015-11-03T09:08:00Z



Fortuna, fama, tudo podes perder, mas a felicidade do coração, ainda que por vezes esteja obscurecida, torna a vir enquanto viveres. Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade. 

Anne Frank



Ainda ontem pensava que não era

Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.

Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."

E no meu sonho eu respondo-lhes:

"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."

Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"

Kahlil Gibran

Amai-vos...




Amai-vos...

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro. 

Kahlil Gibran 

Bertolt Brecht




























Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural -
diante dos acontecimentos de cada dia.
Numa época em que reina a confusão,
em que escorre o sangue,
em que se ordena a desordem,
em que o arbítrio tem força de lei,
em que a humanidade se desumaniza....
Não digam nunca - Isso é natural! -
Para que nada passe a ser imutável.
Eu peço com insistência
Não diga nunca - Isso é natural -
Sob o familiar,
Descubra o insólito,
Sob o cotidiano, desvele o inexplicável.
Que tudo o que é considerado habitual
Provoque inquietação,
Na regra, descubra o abuso,
E sempre que o abuso for encontrado,
Encontre o remédio.

Nada é impossível de mudar.

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

Bertolt Brecht

terça-feira, 20 de maio de 2014

Um frágil peixinho


Um frágil peixinho

Estávamos na manhã do terceiro domingo de Agosto.
A alvorada despertara luminosa, e soalheira, antevia-se um dia quente.
Em mim harmonizava-se a alegre expectação de rever o surpreendente borbulhar da adolescência na minha classe de Escola Dominical.
Tinha-me preparado para uma manhã de partilhas, e sentia-me por demais estimulada com o tema que iríamos abordar nos próximos domingos: “Intimidade vitalícia com Deus”. Sabia que era do interesse de todos. Mas naquele momento não imaginava a surpresa, ou melhor, o susto que me estava reservado.
Henrique, que dera ouvidos ao repto lançado pela dirigente da Escola Dominical, na semana anterior, desfilava pomposamente pela coxia, lado a lado, com o seu “peixinho”, de nome Pedro. Soubemos o seu nome posteriormente, aquando das boas vindas.
Os nossos olhares cruzaram-se lançando-me, de imediato, um sorriso de orelha a orelha. Correspondi-lhe de igual modo. Já a visita transparecia uma timidez enternecedora ao examinar com singularidade o espaço em torno de si.
Henrique incitou-o a que participasse mas, sem conseguir acompanhar os coros e gestos para ele desconhecido, colaborou apenas no bater das palmas e na leitura bíblica.
A dirigente anunciou o momento das várias faixas etárias se encaminharem para as suas classes, e lá fomos nós, professores e alunos, para as salas correspondentes.
O ensino que compartilho semanalmente com eles advém de seis dias de oração, meditação e estudo. Após a explanação da lição surge habitualmente o delicado desabrochar das dúvidas e questões expostas nos seus olhares inquietos, e nas mentes dispostas a crescer.
Recolho-as, uma a uma, analiso-as cuidadosamente à luz das Sagradas Escrituras e, fazendo uso de uma linguagem mais simples e acessível, ajudo-os a desmontar os enigmas estabelecidos.
Muito embora fique no final de cada classe  com a sensação de ter aprendido muito mais do que ensinado. As suas experiências pessoais e os exemplos que confidenciam na aula ampliam-me a visão. Transmitem-me uma nova realidade, uma nova consciência, alargam os meus horizontes, fazem-me crescer psicológica e espiritualmente.
Senti porém que, naquela manhã, devia aligeirar o tema, dado que tínhamos uma visita. Não seria difícil fazê-lo visto que era a primeira abordagem.
Auxiliada por Henrique comecei por me apresentar, dei-lhe as boas vindas em nome de todos e estimulei os meus alunos a apresentarem-se.
Quebrado o gelo inicial perguntei-lhe se frequentava alguma igreja ao que ele me respondeu que sim, que ia de vez em quando à missa com os pais e também à catequese.
Expliquei-lhe então que a nossa classe dominical funcionava mais ou menos como a catequese. Ali estudávamos a Palavra de Deus, aplicávamos o seu ensino de forma directa às nossas vidas e analisávamos os acontecimentos socioculturais e mundiais à luz das Sagradas Escrituras.
Ele ouvia atentamente o que eu dizia, os restantes prendiam as suas atenções nele.
Vi nele um rapaz simples de olhar límpido e sincero, onde se não vislumbrava nenhum tipo da rebeldia, por vezes comum nestas idades. Perguntei-lhe ainda se, e até aquele momento, estava a gostar de estar entre nós, acenou-me que sim.
Saudei os restantes alunos, como habitualmente, informei-me de como lhes correu a semana, e de seguida apresentei-lhes o tema da nossa lição. Ficaram expectantes como eu previra.
Aconselhei-os a registarem, no seus cadernos dominicais, os tópicos, os versículos, uma ou outra reflexão mais importante da lição, e as dúvidas para serem analisadas no final.
Henrique prontificou-se a partilhar o seu caderno com o amigo, cedendo-lhe uma folha e uma esferográfica para o efeito. Depois de tudo a postos, iniciei.
Volvidos uns quinze minutos, mais ou menos, Ana alertou-me para o mau aspeto da nossa visita. Extremamente pálido, suado, não conseguia escrever, a mão tremia-lhe. Os outros adolescentes começaram a ficar agitados. Henrique mantinha ao lado dele e perguntava-lhe se sentia bem, mas era visível que não.
Senti um calafrio a percorrer-me a espinha. Nunca havia passado por uma situação semelhante na classe. A sala onde nos encontrávamos situa-se na cave, onde a temperatura é sempre baixa, aqueles suores denunciavam alguma gravidade e os alunos aperceberam-se rapidamente disso.
Dirigi-me silenciosamente a Deus, pedi-Lhe auxílio. Tinha que manter calma para poder acalmar os restantes.
- Afastem-se um pouco por favor, deixem o Pedro respirar – ordenei com uma serenidade que não me pertencia.
- Diz-me, Pedro, o que sentes? - perguntei-lhe com meiguice.
- Sou diabético – proferiu com a voz entaramelada.
- O que é isso? – perguntou Samuel da  extremidade da sala.
- Estás com uma quebra de açúcar, certo? – questionei novamente sem dar ouvidos a Samuel. A situação de Pedro era prioritária.
Ele acenou assertivamente com a cabeça.
Com delicadeza afastei a secretária e ajudei-o a sentar-se no chão, sobre a carpete.
Era preciso tomar medidas urgentes para evitar que a situação piorasse, de contrário ele podia começar com vómitos, convulsões e na pior das hipóteses podia até entrar em coma.
Conheço aquela doença de perto, a sua gravidade não admite facilitismos.
A diabetes permite, ao doente, um estilo de vida praticamente normal desde que este siga uma dieta rigorosa e todos os preceitos médicos.
Desconfiei que tivesse havido alguma negligência por parte de Pedro, ou por parte dos seus pais. Pressenti que talvez tivesse saído de casa sem tomar o pequeno-almoço.
Dirigi-me então à minha carteira onde transporto sempre uma pequena garrafa de água. Agradeci a Deus pelo facto de me ter deslocado ao café antes de ir para a ED, um hábito que não mantenho, e por ter comigo os dois pacotes de açúcar que a empregada levara por excesso.
Os olhares dos alunos perscrutavam os meus movimentos. Verti parte da água da garrafa num pequeno recipiente que encontrei esquecido no móvel da sala. Na restante adicionei os dois pacotes de açúcar, agitei e abeirei-me do rapaz.
- Bebe isto, Pedro. Daqui a pouco estarás muito melhor – a sua expressão apática fez-me recear que não conseguisse fazê-lo mas os meus receios não se confirmaram, graças a Deus.
Depois de me certificar que ele tinha bebido o líquido açucarado pedi aos outros que se mantivessem calmos. Assegurei-lhes que o Pedro iria ficar bem, e que em breve retomaríamos a nossa lição.
Era essa a prece que dirigia insistentemente a Deus.
Passados alguns minutos verifiquei que o suor estancara, a palidez começava a esbater-se e as mãos deixaram de tremer. Era um óptimo sinal.
Pedi aos alunos para pegarem nos seus cadernos e esferográficas e se sentassem sobre a carpete, em círculo. A lição iria prosseguir, com uma nova disposição e temática.
Aproveitando as melhoras de Pedro transmiti-lhes alguns dos conhecimentos que possuo da diabetes: falei-lhe dos sinais de alerta daquela doença, dos seus primeiros sintomas, de como deveriam proceder numa situação semelhante à que acabávamos de viver e, fazendo uso da Palavra de Deus mencionei o cuidado que cada um deve ter com o seu próprio corpo, porque o mesmo é o templo do Espírito Santo. Depois de explanada a lição e esclarecidas as dúvidas, relativas à lição e diabetes, recebi a confirmação de que as minhas suspeitas não tinham sido em vão. Pedro confessou-nos ter-se deitado tarde na noite anterior o que o levou a esquecer-se de programar o despertador para a manhã seguinte. A mãe fora acordá-lo mas… já era demasiado tarde. Para evitar atrasos de maior saiu de casa sem tomar o pequeno-almoço.
Fora uma imprudência tremenda. Estar demasiadas horas sem comer é algo completamente impensável para qualquer um de nós, para um diabético pode ser fatal. Não lhe dei nenhum sermão, seria desumano fazê-lo depois da aflição e do susto pelo qual todos passamos.
Quis saber há quanto tempo sofria de diabetes e se era dependente de insulina.
Respondeu-me que era uma situação recente, pouco mais de um ano, e que dependia de insulina diariamente.
Articulava as palavras com facilidade e a cor das faces voltara ao normal, o que nos fez respirar de alívio.
O seu olhar pedia-nos constantemente desculpas pelo reboliço causado na classe. De todos os alunos, Henrique foi o primeiro a quebrar o silêncio.
- Esquece isso, pá. Já passou! – foi a resposta ao pedido do amigo.
O ambiente ficou ao rubro quando os dois amigos se envolveram num abraço sentido, ao qual todos os outros se juntaram. Emocionei-me diante daquela notável manifestação de afecto e cingi-os a todos.
Aquele incidente poderia ter fragilizado ou até mesmo destruído a amizade dos dois amigos.
Pedro poderia ter-se sentido constrangido, diminuído e envergonhado diante dos outros adolescentes, o que não aconteceu.
A minha classe acarinhou sabiamente o frágil peixinho.
A muralha do preconceito não se ergueu, senti-me grata por isso.
Hasteamos a bandeira do amor, conquistamos o coração e a amizade de Pedro, ganhamos um novo elemento na classe.
A afectividade, e a cumplicidade, que se gerou naquele grupo de adolescentes, com tanta evidência, e de forma tão espontânea, criou um laço indescritível.
Um laço que se mantém coeso até hoje.
Florbela Ribeiro


 Trabalho apresentado no CFPED -MEIBAD

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Menina de 8 anos morre em lua de mel com marido de 40 anos.


Menina de 8 anos morre em lua de mel com marido de 40 anos. 


http://sempreinformados180.blogspot.com.br/2013/10/menina-de-8-anos-morre-em-lua-de-mel.html


Uma criança de oito anos morreu no último sábado (07/09) no Iêmen após a lua de mel com o marido de 40 anos, informaram nesta segunda-feira (09/09) as agências dpa e AFP. Segundo os médicos, a menina morreu com ferimentos internos no útero.
A criança, chamada Rawan, foi vendida pelo padrasto para um saudita por cerca de R$ 6 mil, segundo o jornal alemão Der Tagesspiegel. A morte aconteceu na área tribal de Hardh, na fronteira com a Arábia Saudita.
Ativistas de direitos humanos pressionam para que o saudita e a família da menina sejam responsabilizados pela morte.
Criança foi vendida pelo padrasto por cerca de R$ 6 mil a um saudita. Segundo os médicos, a menina morreu com ferimentos internos no útero.

“Após este caso horrível, repetimos nossa exigência para uma lei que restrinja o casamento para maiores de 18 anos”, afirmou um membro do Centro Iemenita de Direitos Humanos para a dpa.

Em 2010, outra garota de 13 anos já havia morrido com sangramentos internos cinco dias após o casamento (forçado), de acordo com outra organização de direitos humanos que atua na região.
Há quatro anos, uma lei tentou colocar a idade mínima de 17 anos para o casamento. No entanto, ela foi rejeitada por parlamentares conservadores, que a classificaram de “não islâmica”.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

domingo, 4 de agosto de 2013

Inverdades




Inverdades


Não é fácil encarar o amanhã com a coragem da determinação.

A incerteza fez-se presente.

Já ninguém tem certezas sobre nada, excepto sobre a morte.

A nobreza apregoa uma futurologia medíocre

Rudes quimeras de inverdades que nos constrangem até os sonhos

O que nos resta então?

Sobreviver de olhos postos no horizonte e avançar, de boca e

orelhas cerradas.



Florbela Ribeiro®

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Algumas palavras em defesa




Algumas palavras em defesa

Dor em todo o lado. Mortandade em todo o lado. Se bebés
não morrem de fome algures, morrem de fome
noutro lugar qualquer. Com moscas rondando-lhes as narinas.
Mas nós apreciamos as nossas vidas porque Deus assim o quer.
Se assim não fosse, as madrugadas de Verão não teriam sido
feitas de tal beleza. O tigre de Bengala não teria sido
concebido com tão miraculosa perfeição. As mulheres pobres
junto à fonte riem em comunhão no intervalo entre
o sofrimento por que passaram e o terror
que as espera no futuro, sorrindo e dando gargalhadas enquanto alguém
na aldeia está muito doente. O riso acontece
todos os dias nas horrendas ruas de Calcutá,
e as mulheres riem nas prisões de Bombaim.
Se negarmos a nossa felicidade, se resistirmos à nossa satisfação,
diminuímos a importância das suas privações.
Devemos arriscar a alegria. Podemos prescindir do prazer,
mas não da alegria. Não da satisfação. Temos de ter
a teimosia de aceitar o nosso contentamento no impiedoso
forno deste mundo. Fazer da injustiça a única
medida da nossa atenção é louvar o Demónio.
Se a locomotiva do Senhor nos abater,
devemos agradecer porque no nosso fim houve magnitude.
Admitamos que haverá música apesar de tudo.
Cá estamos, de novo na proa de um pequeno navio estreito,
olhando para a ilha que dorme: a beira-mar
são três cafés fechados e uma luz nua que ainda arde.
Ouvir o débil som de remos quebrando o silêncio enquanto um barquinho
sai do porto e depois regressa vale realmente a pena
todos os anos de dor que estão por vir.

Jack Gilbert

(Tradução inédita de Andreia C. Faria)

segunda-feira, 15 de julho de 2013



"Descobrindo-se, o poeta personifica, representa. 

Nos melhores momentos descobre o que nem sequer encoberto estava, 

porque o que ele faz é ver a oblíqua eloquência ou o encanto do que, sem ele, não seria."


Ana Hatherly


História


"Não existe história alguma que não seja uma descrição mais ou menos completa de qualquer batalha."


Ana Hatherly