sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Conta Comigo Sempre

Conta Comigo Sempre

Conta comigo sempre. Desde a sílaba inicial até à última gota de sangue. Venho do silêncio incerto do poema e sou, umas vezes constelação e outras vezes árvore, tantas vezes equilíbrio, outras tantas tempestade. A nossa memória é um mistério, recordo-me de uma música maravilhosa que nunca ouvi, na qual consigo distinguir com clareza as flautas, os violinos, o oboé. 
O sonho é, e será sempre e apenas, dos vivos, dos que mastigam o pão amadurecido da dúvida e a carne deslumbrada das pupilas. Estou entre vazios e plenitudes, encho as mãos com uma fragilidade que é um pássaro sábio e distraído que se aninha no coração e se alimenta de amor, esse amor acima do desejo, bem acima do sofrimento. 
Conta comigo sempre. Piso as mesmas pedras que tu pisas, ergo-me da face da mesma moeda em que te reconheço, contigo quero festejar dias antigos e os dias que hão-de vir, contigo repartirei também a minha fome mas, e sobretudo, repartirei até o que é indivisível. Tu sabes onde estou. 
Sabes como me chamo. Estarei presente quando já mais ninguém estiver contigo, quando chegar a hora decisiva e não encontrares mais esperança, quando a tua antiga coragem vacilar. Caminharei a teu lado. Haverá, decerto, algumas flores derrubadas, mas haverá igualmente um sol limpo que interrogará as tuas mãos e que te ajudará a encontrar, entre as respostas possíveis, as mais humildes, quero eu dizer, as mais sábias e as mais livres. 
Conta comigo. Sempre. 

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' 

domingo, 27 de janeiro de 2019

Napoleon Hill





Eu creio em mim mesmo. 
Creio nos que trabalham comigo, creio nos meus amigos e creio na minha família. 
Creio que Deus me emprestará tudo que necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançar com meios lícitos e honestos. 
Creio nas orações e nunca fecharei meus olhos para dormir, sem pedir antes a devida orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que não acreditam no que eu acredito. 
Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente, que não depende da sorte, da magia, de amigos, companheiros duvidosos ou de meu chefe. 
Creio que tirarei da vida exactamente o que nela colocar. 
Serei cauteloso quando tratar os outros, como quero que eles sejam comigo. 
Não caluniarei aqueles que não gosto. 
Não diminuirei meu trabalho por ver que os outros o fazem. 
Prestarei o melhor serviço de que sou capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida, e sei que o triunfo é sempre resultado do esforço consciente e eficaz. 
Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que às vezes ofendo os outros e necessito de perdão.
Napoleon Hill
Fonte: https://www.pensador.com/autor/napoleon_hill/

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Florbela Espanca





"Hoje… a minha sede de infinito é maior do que eu, do que o mundo, do que tudo, e o meu espiritualismo ultrapassa o céu. Nada me chega, nada me convence, nada me enche."
Florbela Espanca, em “Afinado Desconcerto”

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Natal

Natal

Mais uma vez, cá vimos
Festejar o teu novo nascimento,
Nós, que, parece, nos desiludimos
Do teu advento!

Cada vez o teu Reino é menos deste mundo!
Mas vimos, com as mãos cheias dos nossos pomos,
Festejar-te, — do fundo
Da miséria que somos.

Os que à chegada
Te vimos esperar com palmas, frutos, hinos,
Somos — não uma vez, mas cada —
Teus assassinos.

À tua mesa nos sentamos:
Teu sangue e corpo é que nos mata a sede e a fome;
Mas por trinta moedas te entregamos;
E por temor, negamos o teu nome.

Sob escárnios e ultrajes,
Ao vulgo te exibimos, que te aclame;
Te rojámos nas lajes;
Te cravejamos numa cruz infame.

Depois, a mesma cruz, a erguemos,
Como um farol de salvação,
Sobre as cidades em que ferve extremos
A nossa corrupção.

Os que em leilão a arrematamos
Como sagrada peça única,
Somos os que jogamos,
Para comércio, a tua túnica.

Tais somos, os que, por costume,
Vimos, mais uma vez,
Aquecer-nos ao lume
Que do teu frio e solidão nos dês.

Como é que ainda tens a infinita paciência
De voltar, — e te esqueces
De que a nossa indigência
Recusa Tudo que lhe ofereces?

Mas, se um ano tu deixas de nascer,
Se de vez se nos cala a tua voz,
Se enfim por nós desistes de morrer,
Jesus recém-nascido!, o que será de nós?!

José Régio, in 'Obra Completa'

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

O amor





„O amor, (...), como tu sabes é feito de muitos sentimentos diferentes. Alguém escreveu, creio que até fui eu - que era uma bela flor com raízes diversas. Ora quando uma dessas raízes é a estima absoluta pode ele ao fim de longos anos secar pelas outras raízes mas permanecer vivo por essa.“ 
Eça de Queiroz

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Rubem Alves




"A alegria é um pássaro que só vem quando quer. 
Ela é livre. 
O máximo que podemos fazer é quebrar todas as gaiolas e cantar uma canção de amor, 
na esperança de que ela nos ouça. 
Oração é o nome que se dá a esta canção para invocar a alegria." 
Rubem Alves

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

O Amor é...


O Amor é...

O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. 
O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. 
O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. 
O amor castiga-te. O amor compensa-te. 
O amor é um prémio e um castigo.
O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. 
O amor é alegria. O amor é tristeza. (...)
O nós, o outro, a ciência da vida. 
O amor é um pássaro. Uma armadilha. 
Uma fraqueza e uma força. 
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. 
O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz. 
O amor é um caos, o amor é uma ordem. 
(....)
O amor lembra-te. O amor esquece-te. 
O amor respira-te. O amor sufoca-te. 
O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. 
Uma estrela. 
Um dia azul. Um dia de paz. 
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. 
O amor é um nome. É um corpo. 
Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. 
É a pele de um sorriso.

Joaquim Pessoa

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Cora Coralina





 Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, 
ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, 
no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.




“Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade.”



“Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma.”


-
“Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.”


“O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes.”



Me esforço para ser melhor a cada dia. Pois bondade também se aprende”
“Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.”


Cora Coralina


Fonte: https://kdfrases.com/autor/cora-coralina/3


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

SILÊNCIOS




SILÊNCIOS

Habituei-me a reprimir a voz
Por me recusar a entrar em controvérsias
Com  apreciadores de ruidosos atritos
Não por ser melhor
Nem mais forte do que eles
Mas por me recusar a perpetuar-lhes
Os delírios,
E as guerrilhas
Fundamentadas em inverdades
Recuso-me a alimentar-lhes
A existência injuriosa
Pelo que uma voz que não ecoa
Será sempre a melhor das armas para se usar

Florbela Ribeiro

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Rápidos correm os dias







"Rápidos correm os dias, os anos.
Não deixes.
Nem isso é verdade.
Vive imensamente cada dia, cada hora, repara no seu escoar e verás como são lentos."

__Vergílio Ferreira

Carl G. Jung






"Onde o amor impera, não há desejo de poder;
e onde o poder predomina, há falta de amor.
Um é a sombra do outro."
__Carl G. Jung

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Friedrich Nietzsche





A vida sem a música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio.”

__Friedrich Nietzsche


A UMA SENHORA QUE ME PEDIU VERSOS








Pensa em ti mesma, acharás
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.
Se já dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.
Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das almas já ressequidas.
Os sóis e as luas
Creio bem que Deus os fez
Para outras vidas.

__Machado de Assis

Os livros





"Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais,
tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia."

__Eugénio de Andrade

sábado, 18 de agosto de 2018

JameSi - Saudade Tua (Videoclip Oficial)


“Saudade Tua“ - JameSi Já lutei muito pra te ter Agora não te largo venha o que vier Sofremos tantas noites eu longe de ti São sempre horas ao telefone tu longe de mim Todos já deram o nosso amor por certo E acredita ainda nem o viram bem de perto Fomos feitos um pro outro eu não duvido Do nosso Amor Fico a imaginar-te adormecer Até ao dia em que eu te possa ter Ao meu lado, lado a lado eu sempre quis Escrever a nossa história com final feliz Passar o dia inteiro sem te ver não dá Passar apenas horas, horas, sem falar Não ter notícias tuas baby é pra mim Ai, Ai, não dá mais pra aguentar Vem morar a meu lado dá-me a tua mão Juntinhos apertados junto ao coração Juro-te amor eterno puro meu amor Dou-te o anel do meu futuro, vá ele pra onde for ---------- Mixing and Mastering - Sassa Nascimento VideoClip - SEAGMEDIA JameSi nas Redes Sociais: https://www.facebook.com/JameSiOficial/ https://www.instagram.com/jamesioficial/ https://twitter.com/JameSiMusicFan/

Latif Hamet







Latif Hamet, poeta Curda

Eu vou mãe.
Se não regressar,
serei flor desta montanha
torrão de terra
para um mundo
maior do que este
(…)
Eu vou mãe.
Se não regressar,
a minha alma será palavra
para todos os
poetas.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Credo - Shaul Tchernichovsky






Credo
Ri, ri de todos os meus sonhos!
O que sonho será realidade!
Ri por eu acreditar nos homens,
E por acreditar em ti.

Minha alma pede ainda uma liberdade,
Que não se troca por bezerros de ouro.
Porque ainda acredito nos homens,
E no seu espírito forte e corajoso.

E no futuro acredito
Que ainda distante, ele virá
Quando nações abençoem outras
E paz por fim a terra encherá.

Shaul Tchernichovsky 
(1875-1943), médico, poeta e tradutor israelita de origem russa.
Poema escrito em 1928.



(fragmento)

“O homem não é nada além de um pedaço de terra
não é nada além da imagem da paisagem de sua terra natal” 

Shaul Tchernichovsky

Fonte: http://judaismohumanista.ning.com/notes/POESIA_JUDAICA_-_Credo_-_Shaul_Tchernichovsky


terça-feira, 14 de agosto de 2018

O convite



Apoiado na robustez do tronco, sob a frondosa copa da figueira situada na retaguarda da modesta habitação, Natanael encontrava o refúgio perfeito para meditar e aplacar o ritmo do seu coração agitado. Era ali que diariamente, e em oração, se despojava das inquietações e anseios. Com o seu sentido observador e diligente, procurava, no silêncio e ao sabor da brisa fresca daquela tarde, entender os últimos acontecimentos.
Relembrava a leitura profética, relativa à vinda do Messias, que escutara na sinagoga. Tudo lhe levava a crer que estaria para breve. E não se baseava apenas nas profecias de Moisés e Isaías mas também nas advertências vindas do deserto de Peréia, pela voz de João Batista. Os avisos incisivos e perturbadores davam-lhe essa convicção.
Há muito que os líderes religiosos viviam uma fé desfalcada de valores, aparentando uma falsa modéstia e santidade revestidas de prepotência e hipocrisia. Enquanto o povo corrompido e subjugado à lei do mais forte evidenciava, na fisionomia silenciosa e sorumbática, a rotina dos dias privados de esperança e sentido. Era nisto que Natanael meditava quando Filipe se acercou:
- Achamos aquele de quem Moisés, e os profetas, escreveram. Jesus de Nazaré.
- Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? – questionou apreensivo, em alusão à má reputação que o Norte ganhara, após a divisão de Israel e à funesta governação praticada por alguns dos seus reis. Mas não foi esse o motivo principal da sua apreensão, ele também era originário do Norte, de Canaã. Foi a certeza de que o Messias viria de Belém, como afirmavam as escrituras.
- Vem e vê - foram as palavras de Filipe, seu amigo.
Natanael aceitou o convite com reservas, interrogando-se pelo caminho:
- Estará Deus a colocar à prova os meus conhecimentos, ou a minha fé? Irei permitir que as dúvidas impeçam o agir de Deus na minha vida?
Não são poucas as vezes em que a incredulidade nos impede de alcançar as bênçãos que nos estão reservadas. Pensamos demais, questionamos e argumentamos também demais, presos à religiosidade e ao ritualismo das crenças familiares, a dogmas, filosofias… e a oportunidade escapa-se-nos por entre os dedos, como areia fina. E só porque não aceitamos que a lógica de Deus esbarre na nossa própria lógica.
Ao chegar, abriram caminho pela multidão e aproximaram-se de Jesus. De imediato, Natanael sentiu algo diferente. Imanava do Mestre uma paz arrebatadora; a sua simplicidade e objetividade eram impressionantes.
- Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade – disse-lhe Jesus.
- De onde me conheces tu? – inquiriu.
- Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira – respondeu.
A árvore, invisível do caminho, fez com que os dois amigos se entreolhassem admirados.
Ao pensamento de Natanael sobreveio o que sua mãe lhe contara em tenra idade, quando Herodes I decretou matar todos os meninos em Belém e arredores, até aos dois anos de idade. Muitas mães, em desespero, esconderam os filhos debaixo de figueiras, por entre a folhagem caída, livrando-os assim da fúria sanguinária dos soldados. Não sabia se acontecera o mesmo com ele, pressupunha que não, dada a distância, mas recordava-se de estar muitas vezes com ela, sob a densa copa de uma morácea, em orações de louvor e gratidão a Deus, pedindo direção e proteção para as suas vidas.
A menção que Jesus fizera relativamente à árvore deu-lhe a total convicção de estar diante do Messias, que viria para resgatar e restaurar os perdidos. Pois que também ele fora visto e achado antes de um encontro real.
Congratulando-se com o cumprimento da promessa nos seus dias, permaneceu ali juntamente com Filipe e demais discípulos.
Passaram, então, a viver com Jesus, a segui-lo por todo o lado, extasiados com os seus ensinos, seu exemplo de vida, sua conduta e carácter.
Em breve, seriam eles a levar o convite que, ainda hoje, abre as portas à salvação.
- Vinde e vede!
Florbela Ribeiro®

Uma História Privada


Uma História Privada
                          para Itzchak Livni
Nove palavras eu lhe disse.
Você disse isso e aquilo.
Você disse: Você tem um filho,
Tem tempo, tem poesia.
As barras nas janelas ficaram gravadas em minha pele;
não dá para acreditar que aguentei tudo isso.
Eu não precisava, mesmo,
humanamente falando.
No dia Dez de Tevet o cerco começou;
no dia Dezessete de Tâmuz a cidade caiu;
no Nono de Ab o templo foi destruído.
Eu suportei tudo isso sozinha.

Dahlia Ravikovitch

Fonte: https://escamandro.wordpress.com/tag/poesia-israelense/

Um Homem e a Sua Vida


Um Homem e a Sua Vida

Yehuda Amichai (1924-2000), poeta israelita.

Um homem não tem tempo na sua vida
para ter tempo para tudo.
Não tem momentos que cheguem para ter
momentos para todos os propósitos. Eclesiastes
está enganado acerca disto.

Um homem precisa de amar e odiar no mesmo instante,
de rir e chorar com os mesmos olhos,
com as mesmas mãos atirar e juntar pedras,
de fazer amor durante a guerra e guerra durante o amor.
E de odiar e perdoar e lembrar e esquecer,
de planear e confundir, de comer e digerir
que história
leva anos e anos a fazer.

Um homem não tem tempo.
Quando perde procura, quando encontra
esquece, quando esquece ama, quando ama
começa a esquecer.

E a sua alma é erudita, a sua alma
é profissional.
Só o seu corpo permanece sempre
um amador. Tenta e falha,
fica confuso, não aprende nada,
embriagado e cego nos seus prazeres
e nas suas mágoas.

Morrerá como um figo morre no Outono,
Enrugado e cheio de si e doce,
as folhas secando no chão,
os ramos nus apontando para o lugar
onde há tempo para tudo.


(Tradução de Shlomit Keren Stein e Nuno Guerreiro)

Fonte: http://ruadajudiaria.com .

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Mar Ocidental: ÁRVORE Uma Antologia Poética - Livro gratuito




Mar Ocidental: ÁRVORE Uma Antologia Poética - Livro gratuito:       

             

 O termo grego ανθολογία (antologia), significa “coleção ou ramalhete de flores”. Daí o latim florilegium. O termo florilégio encaixa-se bem ao presente trabalho, onde procurou-se coligir poemas sobre a árvore, esse centro e pilar da hera.
        E foi sorvendo de outas antologias, e ainda de livros individuais, revistas e websites, que coligimos aqui este singelo ramalhete de poemas sobre a árvore. Adicionamos ao volume uma pequena seleção de frases sobre o tema, e, em arremate, publicamos o texto integral (vertida sua grafia ao português hodierno) do poema A Destruição das Florestas, do múltiplo Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806 – 1879). O poema, que veio à luz em 1845, é um significativo e precoce exemplo de consciência ambiental em nossa literatura.
        Uma antologia temática é uma chance sempre de a poesia penetrar em espaços outros que não os estritamente circunscritos aos apreciadores de poesia. Como antologista, confesso que prefiro, por motivos óbvios, trabalhar com temas ainda não contemplados, os quais infelizmente são muitos em nossa língua. Já assim fizemos em trabalhos como Segunda Guerra Mundial – Uma Antologia PoéticaBreve Antologia da Poesia Cristã Universal e Amor, Esperança e Fé – Uma Antologia de Citações, só para citar alguns trabalhos. Assim, qual a vantagem (ou vantagens) de debruçarmo-nos, agora, sobre uma outra antologia da árvore, já que nossa literatura possui obras neste viés? Acreditamos em algumas. A primeira, é de ordem da amplitude espaço-temporal: a coleta de um número significativo de textos, abarcando autores, se em sua maioria brasileiros ou lusos, também de outras literaturas do globo, e alguns deles de produção posterior às seletas precedentes; a segunda, por suprimento de lacuna, visto que os predecessores são livros esgotados já de há boas décadas; e, por fim, nossa motivação principal: a democratização do conhecimento proporcionada por um livro que já nasce eletrônico e gratuito, o que permite um acesso fácil, amplo e permanente ao seu conteúdo. Afinal, em tempos em que “Meio Ambiente” alcançou o status de tema transversal a perpassar o ensino de todas as disciplinas escolares, auxiliar educadores em seu esforço para incutir o reconhecimento e a valorização deste ser áulico e basilar da Natureza, a árvore, naqueles corações sob sua jurisdição, torna-se nosso objetivo mais urgente.
        Além do elogio da árvore, presta-se aqui uma homenagem a nossos poetas de agora e de ontem, e de certa forma um serviço à literatura lusófona, pois toda antologia literária é antes de tudo isso - um serviço prestado a uma literatura e ao universo de seus usuários.
        Este é um livro gratuito. Como amante das árvores e da literatura, como professor e como antologista, é um prazer ofertar este livro a todos, com votos de que ele possa ser compartilhado livremente, para que alcance os fins a que se propõe.
                               
Sammis Reachers


terça-feira, 26 de junho de 2018

Joaquim Manso





«Desde que o pensamento faz parte do nosso ser, podemos extrair das maiores derrotas as melhores vitórias.»

Joaquim Manso. Pedras para a Construção dum Mundo. Livraria Bertrand, Lisboa., p. 171

Raul Brandão





Considero os meses mais felizes da minha vida aqueles em que eu e minha mulher fomos viver para uma aldeia remota. 

Ainda hoje me penetra a solidão perfumada dos montes. 

A casa não tinha vidros e à noite o silêncio doirado de estrelas entrava pelas janelas e desabava sobre nós...

 Há horas em que as coisas nos contemplam, e estão por um fio a comunicar connosco. 

Às vezes é um nada, um momento de êxtase em que distintamente ouvimos os passos da vida caminhando.




Raul Brandão

Agnès Varda


« Paro de escrever muitas vezes. O mundo está em mau estado e eu sinto-me esmagada.»


Agnès Varda





terça-feira, 31 de outubro de 2017

​A persistência da Fé



A persistência da Fé


A persistência da Fé
Não existem super-homens nem super-heróis. Existem pessoas corajosas e determinadas, às quais rotulamos de “super-isto” ou “super-aquilo”, quando, na verdade, o que elas têm é uma persistência e uma fé inabalável neles próprios, em algo ou em alguém.
Assim me defino eu, como um homem persistente e de fé. Uma fé perpetuada na Omnisciência, Omnipotência e Omnipresença do Criador, e não nas capacidades ou méritos humanos. Pois é Ele quem me restaura, fortalece, consola e abençoa em cada dia.
Sem o Seu auxílio, eu teria desmoronado quando uma indefinível, e súbita, tragédia se abateu sobre mim e me despojou de tudo: riqueza, filhos, saúde.
Naquele dia senti que a morte me arrancou a vida, em vida, sem aviso prévio.
De manto rasgado, cabeça rapada e lágrimas incessantes de dor e desespero a banharem-me o rosto, adorei-O:
Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou. Bendito seja o Seu Santo nome.
Nada nem ninguém iria abalar a fidelidade Nele depositada.
Mas os gemidos do meu coração perturbaram-me o pensamento ao ponto de desejar que o dia do meu nascimento jamais tivesse ocorrido. O porquê de tamanho revés ecoava-me nos ouvidos. Julguei-me intocável por ser um homem sincero, recto e temente a Deus. Opinião contrária à dos meus três amigos que, sem inibições, me dirigiram os dedos inquisidores e as línguas afiadas. E, após me sondarem até ao limite das minhas forças, concluíram ser eu um ímpio que padecia o resultado das próprias transgressões.
Se padece é por que mereceAlgum pecado oculto, e mui grave, terá a confessar. Só isso justifica uma tão grande aflição vinda de Deus.
Mas não é esta a tendência natural do homem: falar, opinar e sentenciar o que desconhece? É-o infelizmente e assim procede para se esquecer, não raras vezes, das suas próprias vivências.
Sentado sobre um mar de cinzas impiedosas ouvi as advertências e conselhos, até não suportar mais.
Mas que sabiam eles da minha vida e pecados?
E do significado da palavra compaixão?
E da grandeza do amor de Deus, dos Seus desígnios e mistérios?
Nada, não sabiam nada! Pois, se o que vemos é os ímpios gozarem de prosperidade sem receber castigo algum nesta vida, enquanto os justos padecem dia a dia.
Consciente da minha fragilidade, implorei ao Senhor por alívio para o meu estado deplorável e para a infinidade da minha tristeza. E supliquei-Lhe também perdão para a soberba de tantas justificações e queixumes:
Em tudo, e por tudo, Te rendo graças; e ainda que me mates em Ti sempre eu esperarei!
O Senhor foi misericordioso no atender da minha oração e libertou-me daquela chaga maligna, reestruturou e renovou a minha parentela e abençoou a minha fazenda, conferindo-me o dobro da prosperidade antes alcançada.
E porque permaneci na dependência do Seu amor, e descansei Nele, sem duvidar jamais do Seu poder, Ele enobreceu a persistência da minha fé, para testemunho futuro.
Florbela Ribeiro®
Baseado no Livro de Jó
Publicado na Revista Novas de Alegria / Setembro 2017 / Pág. 14

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Valorizo




Valorizo, cada vez mais, o que é simples e belo.
Como o brilho estampado nos sorrisos sinceros, a emoção que se expressa, timidamente, numa lágrima.
As manifestações da alvorada no orvalho entorpecido dos roseirais, na sinfonia estonteante da passarada, na delicadeza da brisa que nos beija.
No som das crianças plenas de brincadeira, e nos apertos de mão, e abraços, espontâneos
Valorizo, cada vez mais, a simplicidade do que é verdadeiramente simples e a beleza do que é genuinamente belo e precioso!
FR®